sábado, maio 28, 2011

Olá Amigos e Amigas!

Por razões de falta de tempo... apenas tenho publicado os meus poemas nas notas do facebook.

terça-feira, março 23, 2010

Quem quiser já pode comprar o livro "como um rio" nas seguintes livrarias:

Porto:

Clube Literário do Porto - Rua Nova da Alfândega, 22 (em frente ao parque de estacionamento da Alfândega do Porto).

Poetria - Rua das Oliveiras, 70 r/c Loja 12 (no centro Comercial Lumiére, em frente ao Carlos Alberto)

Lisboa:

Livraria Ler Devagar - Rua Rodrigues de Faria, 103 (Lx Factory - Alcântara)

sábado, fevereiro 27, 2010

sexta-feira, fevereiro 05, 2010


Agora é que está quase!

O livro deverá aparecer por aí... na volta da Primavera.
O que será, concerteza, um bom augúrio.

Conto com todos no lançamento! Deverá ser na primeira semana de Março.
Brevemente direi onde e quando exactamente.

quarta-feira, novembro 11, 2009


Francisco Van Zeller ao seu melhor nível!

Este Senhor, que por acaso até é o Presidente da CIP, leia-se Confederação da Indústria Portuguesa, protagonizou hoje um dos melhores momentos da política económica dos nossos tempos...
Colocou uma pergunta a Helena André, actual ministra do trabalho que, não fosse uma pergunta feita bem a sério, poderia até fazer parte de uma rábula dos gato fedorento.

"Que pensa a Sra. Ministra da possível alteração do quadro legal, que passe a permitir às empresas substituir empregados desadaptados e desmotivados por outros empregados mais jovens..."

A Sra. Ministra concerteza agradeceu a pergunta, dado que, na sua resposta, lhe foi possível deixar claro que este governo se preocupa com todos os cidadãos que trabalham, independentemente da idade. (O que até já soa estranho aos ouvidos dos eleitores deste mundo em que vivemos).

Se não vivessemos numa democracia, provavelmente o Sr. Van Zeller teria uma proposta um pouco mais arrojada, assim do tipo:

Porque não uma injecção atrás da orelha dos funcionários quando, por força do peso da idade, começassem a evidenciar sinais de desadaptação e/ou desmotivação.

Com um patrão deste nível a motivação para sair de casa para ir trabalhar deve ser do melhor... Vai lá vai!

Era um fartote a encher seringas!
Eu vou mais longe! Patrões destes, claramente com prazo de validade caducado, logo depois da injecção, ainda na fase do estrebucho era biqueirada com eles! No Sim senhor, que era para chegarem ao inferno e nem terem como se sentarem. Ai era era!

terça-feira, novembro 03, 2009

Pois a notícia é que tomei a decisão de publicar em livro os poemas dos 4 anos do blog "A Nossa Pena".

Conto convosco para o comprarem e irem ao lançamento.

Darei notícias!...

sexta-feira, agosto 07, 2009

O nosso Porto!

Cara Elisa Ferreira,

Dirijo-me a si, não como militante do Partido Socialista (que efectivamente sou), mas como cidadão do Porto que sente a tristeza imensa de ser governado por alguém que não se revê na cidade.
Escrevo-lhe com a convicção que o momento grave que atravessamos a Norte também é da responsabilidade do Partido Socialista. Porque, quando a hora de discutir uma nova forma de organizar o território nacional chegou, assobiou para o lado de Lisboa e deixou cair as diferenças de cada região tornando uma vez mais este País num projecto adiado.
Escrevo-lhe porque, como muitos outros Portuenses, no momento em que foi anunciada a sua candidatura à Presidência da nossa Câmara, acreditei que voltávamos a ter alternativa!
Um projecto que reafirmasse o orgulho em ser tripeiro! Um projecto que afirmasse as diferenças e explicasse a todo o País porque é que não existe apenas um Portugal… E porque é que vale a pena ser do Norte!
Aqui, temos memória! Lembramos o trabalho todo que foi feito por Fernando Gomes, quando de um Porto triste e abandonado construiu um projecto arrojado, transformando uma cidade cinzenta em Património Mundial.
Quando lançou novas pontes a essa outra forma de ser Porto que é Vila Nova de Gaia. Quando lançou as bases do Metro, quando iniciou o Parque da Cidade e muitos, muitos outros projectos que contrastam com o estado actual de cultura do miserabilismo desse Senhor que, por erro de casting, (mas também por ambição macrocéfala dentro do Partido Socialista) foi eleito Presidente da Câmara da nossa cidade!
Porque a nossa memória também serve para nos recordar que o nosso Presidente de então trocou a cidade pelo poder central. Também serve para lembrar quem quer ter um papel nos destinos da cidade que o poder não pode ser descartável. Que o governo da cidade não poderá “seguir dentro de momentos”.
Queremos e merecemos um Presidente a tempo inteiro. De corpo inteiro, mas sobretudo, com o coração todo na cidade!
Eu não tenho dúvidas que votarei Elisa Ferreira no próximo dia 11 de Outubro… Porque não duvido que ninguém tem o direito de lhe dar lições sobre como ser tripeira. Porque não duvido que, sendo eleita, será uma excelente Presidente da Câmara… mas muitos cidadãos como eu, na altura de votar, vão voltar a hesitar e, provavelmente, por não sentirem que o seu projecto é apenas o Porto, poderão nem sequer votar!
É assim que o actual Presidente da nossa Câmara tem ganho eleições. Porque nós, no Porto, não queremos meios projectos, nem projectos a meias.
Não duvido que seja uma excelente deputada Europeia… Até lhe digo que, se o que estivesse em jogo fosse apenas isso, seria com imenso orgulho que a veria representar Portugal em geral e o Norte em particular, no parlamento de Bruxelas. Mas acredito que o que falta hoje é ouvi-la dizer, antes do dia das eleições, que o seu projecto é um e apenas um: O Porto!
E, porque o combate de uma cidade não se resume a um dia de eleições, faz-se em todos os dias que vão de uma derrota até a uma possível vitória, também não queremos candidatos apenas a Presidentes… Queremos candidatos a defender os interesses do nosso Porto!
Queremos ouvi-la dizer que será Presidente ou líder da oposição na nossa cidade!
Queremos políticos que assumam o seu papel nas vitórias de hoje… mas também nas possíveis derrotas, para que amanhã possamos sair todos vencedores!

Como lhe disse, vou votar em si!
Com a tristeza imensa de saber que vou votar numa candidata possível, quando tudo está tão perto de poder ser o voto na candidata ideal!

domingo, agosto 02, 2009

Um Caminho.4

As voltas que o tempo nos dá!
Vou escrevendo e descobrindo que a minha história é uma colcha imensa, feita aos quadrados que não casam... mas o que importa é que nos tire o frio...

Ser filho de Professores não é tarefa fácil. Confirmei-o em todos os Amigos e Amigas que partilharam essa realidade. Como não será fácil, seguramente, ser filho de outro tipo de profissionais.
Ser filho de Professores foi dramático na relação com os colegas de escola. O estigma do “favorecido” esteve sempre presente. Os Amigos e colegas dividiam-se entre o respeito a outro que não eu e a amizade por mim. Em momentos calmos não se via a diferença nos comportamentos… mas, em tensão, as recriminações apareciam. Eu nunca fui do tipo de trazer a bola e acabar com o jogo. Aliás, qualquer jogo esteve sempre no lado dos princípios. Um jogo foi sempre coisa séria. Não importa, nem importou nunca o que se joga. Importa como se joga e o empenho que se põe no jogo.
A escolha da escola de um filho, que a mim, Pai unigénito, me pareceu tão rápida (se bem que não fácil) de resolver, foi no meu caso e do meu irmão mais novo, um drama arrastado por mais de quatro anos.
Imagino, ouvi falar, que no caso das minhas irmãs os meandros terão sido parecidos. Com contornos parecidos e enredos também suficientemente caricatos. No meu caso. a novela começou ainda antes dos 6 anos.
No álbum fotográfico (ao lado das 12 ou 13 fotografias da época) é referido que aprendi as primeiras letras aos 5 anos.
De facto, recordo-me muito bem que estive emprestado a uma primeira classe da qual não poderia, de verdade, fazer parte.
Por isso, não valeu! Não passei do filho da professora da escola ao lado (mais uma vez havia a separação entre rapazes e raparigas). Provavelmente atrapalhei mais o trabalho ao Professor que acedeu aos pedidos da minha Mãe do que aproveitei nesse breve período.
E, sendo assim, lá entrei para a escola aos 6 anos. A experiência desde logo demonstrou que havia uma verdadeira separação familiar no que dizia respeito às competências fraternais, ao empenho e ao aproveitamento escolar.
O sucesso conjugava-se no feminino. O meu… ia dando para o caminho!
A Isabel era a revelação extrema. Entrara precocemente para a escola. Transitara rapidamente para um ano à frente e eu, bafejado pela sorte de uma hepatite aguda que me atirou três meses seguidos para a cama, lá consegui esbater diferenças.
Esses três meses foram a terra prometida de qualquer aprendiz de preguiçoso. Tinha uma família inteira aos meus pés.
Irmãos autorizados a brincar comigo no tempo todo do mundo. Uma dieta acima da média doméstica, coroada pelas magníficas torradas com doce do meio da tarde. E… sobretudo isso, até porque o séquito de servidores tinha mais que fazer durante o dia, livros para descobrir.
Atirei-me com zelo e determinação à descodificação do meu primeiro livro dos 5. Por acaso, o número 3, “Os 5 voltam á ilha”.
Era o que estava disponível naqueles dias. Esta história de começar pelo meio teve o condão de me adoçar a boca. Não descansei enquanto não li e compreendi todo o livro. Como não descansei enquanto não parti para o primeiro da colecção e logo depois para o segundo, dando assim início a uma relação apaixonada com a palavra escrita.
Quando voltei à escola, já tinha passado da fase do “ajuntamento de letras” para a leitura mais ou menos escorreita.
Terminei a 1ª classe coxo em algumas matérias, mas perfeitamente capaz em leitura. Menos Mal!
A partir daí perdi a conta aos professores. Ou, pelo menos, deixei de os conseguir situar cronologicamente: o Pereira, o Leal, o Peixoto… Apenas tenho a certeza que, algures entre meados da 2ª classe e meados da terceira partilhei uma professora com a classe do meu irmão mais novo.
Coisa inédita, isso de duas classe com uma só Professora, modernices que atrasaram o meu irmão para algumas matérias, enquanto o faziam precoce noutras.
A nossa Professora comum era completamente fora dos padrões da época. Não batia nos miúdos. Tratava-nos por “meus filhos” e era mais rápida no elogio que na crítica.
Era, para além disso, mãe de um Amigo que, padecendo embora desta sina comum de ser filho de Professora, acumulava ainda com o facto de ter um Pai militar!
As coisas podem ser fantásticas! Penso que algum do meu desdém pelas hierarquias militares se funda nesta fase da minha infância!
Desorientado, flutuei entre o fascínio por exércitos em formação, quais bonecos de chumbo do meu imaginário infantil e uma irritação urticariforme em relação a vozes de comando, impossíveis de discutir...
Um dia gostava de conversar com o Augusto sobre esse Pai tão estranho aos meus olhos de miúdo irrequieto.
Tinha centenas de soldadinhos de chumbo, tanques de guerra, aviões de combate. Tudo impecavelmente alinhado em armários de portas de vidro e, cruel ironia, não podíamos tocar em nada!
Ao menos ao Augusto estava absolutamente proibido! A mim ainda me foi dado o prazer fugaz de lhes sentir o peso e observar à lupa da minha curiosidade toda a cor das fardas e sentir o cheiro do seu chumbo.
Nessas tardes, jurei a mim mesmo que havia de construir o meu próprio exército. E, anos a fio (mais ou menos dois ou três, que no tempo dos miúdos é uma pequena porção de eternidade) eu e o meu irmão fomos gastando os sapatos, poupando os 2$50 do autocarro no regresso da escola.
Dia após dia, voltávamos a pé queixando-nos do caos do transito, justificando a demora, quer chovesse ou fizesse sol.
Foi quando percebi que uma vez encharcado, já pouco pode piorar. Apenas nos candidatávamos a um dia de molho na cama, fungando do nariz e comendo as proverbiais torradas com doce. A pieguice dos homens fazía-se assim: cama quente e papinha da boa. E pouca escola, claro!

terça-feira, julho 07, 2009

Um Caminho.3

.......Abrantes foi, portanto, uma casa breve. Um lugar de saída, de começo, de memórias difusas.
.......Agora já não sei colar as coisas no lugar. Não tenho a certeza se as memórias das mãos dadas com o meu Pai, no café, na papelaria do Vítor Borda D’Água, são do antes ou das visitas que depois fomos fazendo a Abrantes.
.......Fica para memória presente que guardo em mim o orgulho de um Pai com o filho, qual troféu, por entre conversas de Amigos.
.......As mágoas ficam para mais tarde!

.......Porque este meu Pai há-de ter sido mais forte do que ele próprio pensava.
.......Porque este Pai que eu lembro dos dias de Abrantes é, ainda hoje, o Pai que eu procuro dar à Joana nos dias em que tento construir futuro e estruturar o seu passado!

.......Este é o Pai que, noite após noite, enquanto me aconchegava os lençóis, me coçava as costas num ritual definitivo. Definitivo porque sempre que o faço, à Joana, me lembro dele. E sempre que me queixo que se trata de um gesto sem retorno me recordo também das suas queixas.
.......Este é o Pai que anos após anos nos preparou o copo de leite da manhã. Preparava-o, personalizado em função dos gostos e caprichos dos 4 filhos que, mais ou menos estremunhados faziam desse gesto o toque de despertar. Só me recordo de quebrar esse ritual no dia em que saí de casa.

.......Mas, porque lá vou eu às voltas para fora do assunto inicial, regresso a Abrantes.
.......Da minha terra natal pouco mais recordo dos dias abaixo dos três anos. E, provavelmente, é assim que deverá ser e sendo assim importa respeitar os caminhos da memória. Neste caso, sinuosos como o dono!
.......Sei que morávamos na escola, onde em cada passagem corríamos em peregrinação todas as vezes que lá voltávamos. Na escola das meninas. Que os tempos não eram de misturas e o sexo oposto era anos a fio visto como isso mesmo…
.......Era nessa escola que a minha Mãe dava aulas. A casa da professora não era magnífica. Já não o era e as visitas posteriores assim o confirmaram. Na memória construída desses tempos, em noites de recordações familiares, estão as armadilhas para os ratos, às dezenas, como impunha a tradição e as minhas fantasias de miúdo (e os contos aumentativos da minha Mãe). Estavam por baixo das prateleiras da dispensa, por baixo de uma escada.
.......Gato não havia… talvez porque o respeito do regime de então pela classe dos professores não se compadecesse com o necessário sustento de quatro filhos. Não eram tempos para encher a barriga a animais de companhia… e nem disso precisávamos porque companhia foi coisa que nunca faltou…
.......No recreio da escola, que era também o jardim da casa, neste jogo esquizofrénico entre o trabalho da Professora/Mãe e os afectos da Mãe/Professora havia um Mundo imenso.
.......Recordo vivamente uma casa de banho com portas de madeira de tinta lascada, igual a todas as casas de banho das escolas que conheci (e foram bastantes!).
.......No recinto, árvores e terra batida. Ao fundo do recreio um muro encavalitado sobre o terreiro das camionetas de passageiros.
.......O mesmo muro onde estive para cair, sendo salvo in extremis pela minha irmã mais velha. O tombo, que na altura me teria parecido imenso, estes anos todos, descontados os centímetros do meu inevitável crescimento, teria sido apenas o suficiente para não estar hoje aqui a contar mais nada.
.......A última vez que olhei o muro (faz quase um ano), reparei que já está devidamente protegido com uma rede muito “europeia” e absolutamente em conformidade com as normas vigentes para qualquer escola que se preze. Aproveitei e confirmei o mito familiar!
.......Teria sido caso para drama inolvidável para o resto da família. Como não foi, o assunto resumiu-se a uns açoites à minha irmã, confirmados durante anos pelas palavras de arrependimento em muitos serões em anos seguintes.
.......À minha Mãe tinha-lhe parecido que a Cristina se entretinha em empurrar-me muro abaixo, numa confirmação tresloucada de um qualquer complexo Freudiano, e, sendo assim, aplicou a regra básica da educação da época, muito em voga no nosso clã: Até prova concludente em contrário, a culpa não pode morrer solteira.
.......A regra era de ouro e confirmava-se muitas vezes. Não foi o caso.
.......A confirmação do arrependimento foi-se varrendo nos últimos anos, nas últimas reuniões de família e o mito transformou-se em lenda!

.......Já não tenho a certeza de nada! E não interessa! Que a memória tem dessas coisas… é de cada um de nós!
.......E isto vale no seu todo! As minhas memórias serão reais?

sexta-feira, junho 19, 2009

Um Caminho.2



Verifico que muitos dos meus textos começam com a minha mão à procura de outra mão… e, numa espécie de auto-psicanálise barata, tento encontrar razões.
“Num dia, de um mês, de um ano qualquer, no século XX, passeavam tranquilamente um Pai e um Filho. O filho pela mão do Pai, o Pai pelos olhos do filho”. Foi isto que escrevi num breve conto psicadélico dos meus 18 anos…

Esta mania de complicar as coisas… Pai e filho podem falar uma vida inteira sobre coisa nenhuma… e é assim que a coisa funciona.
As paixões de um Pai podem passar a ser apenas manias de um filho qualquer. E isso é grave?
E dar a mão é assim tão importante… tão estruturante?

Será que é por isso, também por isso, que preciso de uma mão na minha ao adormecer?
Será que tudo se resume a um conjunto mais ou menos vasto de sensações de infância?

Será que nunca conseguiremos deixar de ser os caçadores cansados, enroscados, à noite, no meio do mato, fogueiras quase extintas, com saudades da caverna da sua Mãe?!

Adiante… que o tema é rico e dá para muita conversa da treta!

Vamos então desconstruir o miúdo. Perceber o barro do qual se fez este homem.

A paixão pelo Porto não é primordial, porque tudo começou noutras latitudes.
E é nessas latitudes que, provavelmente, estão os nós maiores deste meu ego. O tempo turvou já aquilo de que me lembro e, por essa razão, não me é já fácil distinguir o que foi real daquilo que já construí em cima das minhas experiências.
A memória mais sólida de Abrantes é do dia de saída. Do imenso caixote de brinquedos ao cimo das escadas, condenado pelas leis do espaço a não viajar para o Porto.
O caixote, admito, é do tamanho do desejo/revolta da criança. Provavelmente estaria cheio de quase coisa nenhuma… mas tem a força da teatralidade do momento.
A verdade é que, mais de 40 anos depois, não consigo diminuí-lo. Era grande, ponto!

Tem o tamanho imenso que todas as perdas futuras terão sempre para mim!

Se me perguntassem, sem toda a informação que recolhi mais tarde e sem a lógica inevitável do preenchimento dos espaços vazios, se tinha saído directamente de Abrantes para o Porto, diria que sim. Claro que sim!

Mas não! Há, pelos vistos, um período que só a custo recordo, em que estive sem os meus Pais.
Parece que pouco tempo, um mês, talvez nem tanto, estive com a minha Avó e com o Avô que nunca foi Avô até morrer.
Apenas lembro o momento da chegada do magnífico Ford Prefect do meu Pai, que tantas vezes, em viagens infindáveis, pela noite ou nevoeiro fora nos levou às Beiras nos anos seguintes.


Aqui estamos nós, os quatro, comigo à direita.
O grito da minha Avó “Vem aí a vossa Mãe!” e depois aquela imagem cinematográfica do carro a subir a rua e a parar, triunfal à porta da casa de Silvares.
Depois não há mais nada. Nada até chegarmos ao Porto, noite dentro, como tantas vezes depois desse dia, a dormirmos todos no carro e estremunhados a entrar pela cozinha daquela que foi durante tantos anos a minha casa! Enorme!
O tempo se encarregaria de a fazer diminuir…
Já lá vamos… para que a conversa não seja como de costume, confusa e difícil de seguir… já lá vamos ao Porto, à minha nova cidade!

quarta-feira, junho 10, 2009

Um Caminho.1


A pergunta inicial é simples:
Como é possível envelhecer e morrer sem saber a idade?!

Que fenómeno estranho nos faz negar o espelho e olhar o mundo com os mesmos olhos de quando tínhamos pouco mais de vinte anos?
E ao mesmo tempo ver passar por nós os olhares do outros, na confirmação implícita da grande inevitabilidade.
De um lado, este espectador sem tempo, este jovem decidido… do outro, do lado de quem passa, o tipo gordo, com o fim anunciado do seu cabelo outrora muito… os seus olhos gastos… as palavras perras.

Sentado na esplanada do café, a olhar o Tejo, esse rio estranho, tão diferente do meu Douro umbilical.
Cansado, quase vencido pelas escolhas que não fiz, ou que fiz contrafeito… apetece-me pensar no caminho… e também nas outras escolhas… as que me vão dando o prazer da vida.
Onde é que tudo começa? Não esse princípio supremo da primeira respiração perante a luz… ou ainda mais atrás, mas onde tudo começa a complicar-se.
Qual o primeiro nó a desatar. Qual a primeira dificuldade em engolir o soluço…

Qual a razão da busca, quem se busca….
Qual o colo que se procura… qual a mão que se deseja?!

Vale a pena contar esta história? Vale a pena este pedaço de vida?
Que adiantámos nós, comuns dos mortais, à salvação da espécie?
Que é que ficará de nós depois da grande fogueira cósmica?
Quem sou eu, este que agora se dedica a pensar em si?
Para onde vou? Vale a pena sequer continuar a ir?

Pensar assim, nestas coisas, é fazer o balanço necessário para prosseguir viagem. Por isso, vamos lá!

Sempre achei que um bom livro se começa pelo título. Porque um bom título é a primeira parte do plano genial.
E a verdade é que não me ocorre nenhum título genial para este caminho…

E, sendo assim, lá vou à procura dos meus passos. Pode ser que me ocorra o nome certo.
Entretanto, aproveito e vou sentindo a brisa de Lisboa, essa terra que não é minha, e inalando o cheiro estranho da saudade…
Pode ser que entretanto a coisa surja, o tal plano genial…

sexta-feira, julho 04, 2008

O Blog segue dentro de momentos...
de prováveis longos momentos, possivelmente muito longos.
O Blog está em "Intervalo Filosófico"... porque perdi o sistema que me fazia pensar...
ou ao menos não me apetece usá-lo.
Até mais texto, aqui, lá vou (na calma preguiçosa destes dias) dizendo umas coisas na minha outra casa.
Passem por lá que lá vos espero:

www.anossapena.blogspot.com

sábado, dezembro 29, 2007

2008


O ano vai acabar... sensivelmente na mesma como o ano passado. E o outro... e os outros todos...


Não é que nada aconteça. Nada disso. De facto, nos últimos 50 anos muito mudou por este planeta redondo, ligeiramente achatado nos polos.


E todos os anos, nós, a espécie dominante (ao menos no sentido reprodutivo/poluidor) no preocupamos em abrir garrafas de espumoso, contar as passas e engoli-las num desafio à imaginação pedinchativa e desejando melhoras e sucessos para o ano que desponta!


É um momento bonito que estou a pensar repetir... ao menos para manter a tradição que, no fundo, ainda é o que nos salva!


O Mundo é grande. A esta hora muita gente dorme, muitos trabalham... outros nem tanto.

Há gente que festeja mil e uma coisas, gente que ri, gente que chora.

Há sonhos que se realizam, vontades que fracassam, gente que nasce e gente que morre.


O Mundo é um complexo mistério onde um dos maiores enigmas é cada um de nós.

Muitos entretêm-se no desafio do consumo insustentável enquanto tantos, mesmo muitos outros, se esforçam apenas por sobreviver em cada dia que passa.

Enigmas multiplicados por biliões de gente, por vontades díspares, por ódios difíceis de explicar, por paixões doentias... por compulsões terríveis.


E somos uma espécie pensante! Capaz de acumular experiência, de compreender a História...

Mas nem por isso capaz de evitar eternizar os erros...


E assim... porque esta Humanidade é pouco aconselhável quando vista no seu conjunto... e porque nunca se muda o todo pelo simples gesto de estalar os dedos... em 2008 vou tentar concentrar-me em mudar a parte que está ao meu alcance... eu mesmo!

sexta-feira, setembro 21, 2007







O País anda meio deprimidote!


Anda cabisbaixo!

Falta-nos chama.

Razões de contentamento!

Anda baralhado de todo!

Já nem sabemos se a bola é redonda!

Perdemos a compostura... trocamos os papeis... caimos em tentações sem sentido... roubamos o martelo ao juíz.

E... já não nos bastavam os empates da selecção de todos nós que tornam a selecção exactamente como todos nós... ainda partimos para a desgraça!

Que um murro falhado é pior que um murro!

É assim como um coito interrompido!

Um coito surpreeendido entre a vontade e falta de pontaria (ou a destreza do ameaçado)



É que nem sabemos ser pequenos... ser orgulhosos da nossa vocação de David contra Golias!

Porque a grandeza maior de ser pequeno é ser melhor! Melhor que sempre! Sempre melhor que ontem!

Mesmo que seja na derrota ou no empate, saber cair de pé!

E... claro que andamos deprimidos!

E, talvez com receio por depressões maiores... algumas cabeças brilhantes do nosso universo televisivo entendem que a selecção de raguebi não merece um canal aberto!

Porque só pode perder... apesar do orgulho de cair em pé.









De gritar o Hino e disfrutar da festa de ter chegado lá!

E... ironia das ironias... não é que esta bola nem redonda é?!





sexta-feira, agosto 03, 2007


Fico doente com esta estória de ver Portugal a arder...

É o sinal mais que claro que este País é de palha!
Que este País não tem solução à vista!

Um País onde todos sabem o porquê das coisas e onde todos enterram a cabeça na areia durante 9 meses enquanto nos 3 restantes se assobia para o ar, com os pés na água do mar com o País profundo a consumir-se em chamas.

É o fado dos bombeiros em correrias desenfreadas para evitar que arda hoje a floresta que arderá amanhã.
É o fado das teorias sobre a reflorestação, sempre anunciada e todos os dias adiada para quando não for mais que "florestação".

É o fado dos culpados e das vítimas...
Dos que perderam tudo por terem tudo nos locais mais inimagináveis!

A guerra das celuloses contra os parques nacionais...
A guerra da construção sem ordem contra os PDM's e as áreas protegidas.

São os lobbys dos materiais de combate ao fogo, de aviões de aluguer contra a limpeza das matas, os planos de protecção ambiental...

E outros interesses... muitos e mesquinhos... de gente que gosta de ver arder...

Portugal tem uma especialidade: Assassinar galinhas de ovos de ouro!

Quando não houver mais nada para arder... nem o lixo que fazemos... pode ser! Pode ser que Portugal seja possível!

domingo, julho 15, 2007

Uma nêspera

estava na cama
deitada
muito calada
a ver
o que acontecia

chegou a Velha
e disse
olha uma nêspera
e zás comeu-a

é o que acontece

às nêsperas

que ficam deitadas

caladas

a esperar

o que acontece



MÁRIO-HENRIQUE LEIRIA
Escritor: 1923 – 1980

Porque acreditar vale sempre a pena!

Porque não podemos nunca baixar os braços!

É por isso que eu acredito que vale sempre a pena votar!
Votar é também resistir!

Podem-me comer... mas resistirei sempre!

Em Lisboa, hoje, muitos optaram por desistir e ficaram, provavelmente deitados, à espera da velha gulosa...

Enquanto sentir que tenho sumo... recuso-me a ficar deitado!

Mesmo que me chamem... ovelha negra!

sábado, julho 07, 2007




Os grilos... são animais proféticos!




Digo isto no calor da noite (duma noite trivial, claro, que não da outra) e não deixo de visionar a frase, a frase bombástica com que saí das trevas...




Dizia então um Amigo (por acaso grande): vai tocar punhetas a grilos...
Ai o Norte!


Ai o Norte... Porra!

Onde... mas onde, neste país profundo... alguém se lembraria de tal?!

Nos Algarves, no reino deles...

um grilo é um grilo... PONTO!!!!

Mas aqui... a Norte... um grilo vale pelo potencial que tem!

E Portugal, este país improvável, está na área do prazer dos grilos!

Anda cada um a satisfazer-se a si próprio!




É que nem há combíbio

sábado, junho 23, 2007

É muito provável que eu hoje até tenha acordado mal disposto. É provável!
Até também é possível que a crise, insistente e desagradável, me ande a dar cabo do feitio... e eu até sou um tipo optimista!

Eu até tenho alguma paciência...

Compreendo os impostos. Os que temos e os que poderemos ter que vir a ter... e percebo que os desmandos do passado tenham custos no futuro.

Até me estou nas tintas para os títulos do Sr. Primeiro Ministro. Eu nem voto em Engenheiros, nem Doutores (ou Dr.'s que seja)...

Eu voto mesmo é em projectos (devo ser parvo, pelo que vejo...).

Nem concordo com OTA's nem TGV's, mas consigo perceber a necessidade de obra pública (mesmo quando, como sempre, para servir os do costume).
Mas hoje, depois de uma breve incursão no blog Portugal Profundo (http://doportugalprofundo.blogspot.com/) estragou-se-me o dia!

Para além do pormenor do brilhantismo do texto em si... fiquei com um estranho sabor a 24 de Abril na boca...

Mas... sejamos positivos!

Obrigado Sr. Engenheiro por fazer compreender aos nossos filhos a importância da Liberdade!
Obrigado Sr. Engenheiro por não deixar esquecer a alegria de poder ter opinião!

Gostaria de lhe dizer que, como V.Exa. eu também sou militante socialista! (e por acaso... sem complexos mal resolvidos, gosto de ser socialista, muito mais que ser PS).

Pois Sou!

E é por isso, fundamentalmente por isso... que tenho que lhe dizer:


Conheço bestas mais civilizadas... e nem precisam de dizer que são Engenheiros!
E, já agora, porque não cheguei a perceber... o Sr. Primeiro Ministro é mesmo Engenheiro?
Não precisa de se irritar comigo... é apenas porque eu tenho andado com mais dificuldades de compreensão...

sexta-feira, junho 15, 2007


O PP anda desvairado!


Louco!


Dizia hoje a TSF (a tal de rádio jornal) que há bronca lá pelo "caldas".

Que a gente do partido do Paulo Portas (o PP - ex CDS) andou a à cata de fundos em buracos fundos...


E, pelos vistos, anda de mão estendida em busca de contribuíções capazes de manter viva a velha máquina partidária em locais de pouca ou nenhuma conveniência...


Sabe-se que não é por ser popular que o dinheiro abunda.

Aliás, melhor fariam em ser mais burgueses, já que o povo anda na fase da folha de parra e pouca uva.


Mas... tenham dó!


Pedir dinheiro a gente que se assina "Jacinto Leite Capelo Rego"?!


Parece-lhes bem?


O País virou-se para as piadas de mau gosto.

Foi uma moda que começou com um ministro PSD e uma piada sobre alumínios em terras alentejanas...

Teve outro momento alto nas graçolas sobre o deserto da margem sul...


E agora, sublime momento de humor, alguém com uma paixão pelo partido, capaz de contrubuir de forma expressiva com uns euritos, lembra-se de contribuir sob pseudónimo, quiçá pensando no líder!



É que nem nos tempos em que o Herman tinha Graça!


Se eu fosse o dono da tasca, não tinha dúvidas. Mandava o artista ao tal sítio!

sexta-feira, maio 25, 2007



Mário Lino habilita-se a ter que fazer uma travessia no deserto...


Porque, honra lhe seja feita, é o tipo de Engenheiro capaz de "secar uma figueira"!


Para já, antecipando-se de forma dramática ao aquecimento global, acaba de secar 1/3 do território Nacional


Mas como é possível tanta alarvidade?!


Como é possível tentar tapar o sol com uma peneira tão esburacada?!


O Homem habilita-se a ficar conhecido nas reuniões do conselho de ministros como o "Areias".


O artista que conseguiu transformar um caso sério de cegueira nacional (a OTA) numa anedota da política de trazer por casa.


O Aeroporto da OTA é um caso de investigação burlesca-policial.


Um caso de desespero público ao serviço dos empreiteiros privados.


É um caso em que vale tudo!


A somar à febre camelística do ministro, junta-se nas últimas horas o pânico dromedário de possíveis atentados à ponte Vasco da gama!


Tenham dó!


Eu já percebi tudo!


Como a margem sul assumiu o estatuto de deserto... o governo já antecipa a ocupação pelas tribos nómadas do norte de àfrica, com bombas e tudo!


Camelos, está visto... já tem!

Agora... é só começar a preparar a anexação ao reino de Marrocos!

Inshalá!



sábado, maio 19, 2007

dois temas...

Hoje é dia de dois post's... melhor dizendo, de um post com dois temas...

Pois é! Não há fome que não dê fartura!

O primeiro é uma homenagem à minha gata Gabi que hoje decidiu ser Mãe!

E é sempre lindo ter gatinhos novos cá por casa.



Mas lindo, mesmo lindo é ver que a Gabi, uma pequena gata tricolor, teve dois filhotes... um amarelo e uma quase toda preta... e dá de mamar feliz aos dois, sem se preocupar com preconceitos primários baseados em coisas estúpidas como a cor do pêlo.
Nem quer saber quem são os Pais... se um é ariano ou se o outro tem o ADN dos fundadores da espécie...



Mas... se calhar é apenas porque não passa de uma Gata feliz!
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O segundo assunto tem a ver com aquela questão primária das paixões clubísticas.
Amanhã é dia de fim de campeonato!


Amanhã é o dia em que o meu Porto vai ter de provar que, como sempre, tem obrigação de ganhar!


Até pode ser que os clubes da segunda circular decidam perder os seus últimos jogos... ou não... que importa?!


Até pode ser...




Mas o Porto, porque tem o melhor conjunto de jogadores, apesar de não ter sido a melhor equipa, vai ter de provar que a força do Campeão continua a Norte.



Mais nada!




Porque tudo reside nisso mesmo... na força da nossa vontade de ganhar!

sexta-feira, maio 18, 2007

O refinado preguiçoso...

Dizem que este blog é uma espécie de marasmo...
... e eu até concordo!
Eu sei que isto tem andado meio parado (é a chamada teoria da garrafa meio cheia meio vazia a falar por mim) e a verdade é que até seria politicamente correcto vir para aqui com as tradicionais desculpas da falta de tempo, do trabalho em demasia, da falta de pachorra...
Mas... nada disso!
O que se passa é que o autor deste blog é um refinado preguiçoso!
Que apenas escreve quando não tem alternativa!
Que apenas escreve em datas muito especiais ou quando pressionado por posições mais críticas para os seus ideais profundos.
É um fulano que precisa de combate... de um murro de quando em quando, para acordar estremunhado e desatar a defender aquilo em que acredita!
Precisa de combates estimulantes e civilizados, de ferroadas críticas e elevadas para levantar a moral.
Descutiram-se aqui temáticas interessantes... é certo!
E assim a título de exemplo recordo as presidenciais, a co-incineração, o aborto, as drogas...
Mas a preguiça insiste em atacar e eis que chegam as tradicionais desculpas...
Só falta dizer que não acontece nada de novo!
E, de facto, bastaria dar uma volta pela blogosfera para perceber que apesar da teia de idiotices e futilidades continua a ser possível ler bons textos, críticas profundas de forma leve e críticas superficiais escritas de forma mais profunda...
Mas voltemos ao preguiçoso que se assina como autor deste blog vazio de ideias...
Nem uma foto?!
Nem uma crítica mordaz?!
Nem uma mordidela na própria língua... ou, ao menos na língua dos seus correlegionários políticos?!
Apetecia-me conversar sobre as eleições para a Câmara de Lisboa... mas, por outro lado, entendo não dever interferir com a gestão das colónias!
Ando farto, cada vez mais farto do aeroporto da OTA... mas a verdade é que dizem ser preciso acabar com o pântano...
Ando fartinho, mas fartinho de todo, de ouvir falar do TGV quando o nosso metro invicto insiste em não passar de um ramal do desperdício da capital...
E às vezes questiono-me: Será que não fugi ao tema?! Ao meu fio do Norte?!
Será que perdi este Norte?!
Por isso prometo. Juro que prometo! O meu próximo post vai ser um grito do Ipiranga!
E vai ter que ser antes da final do campeonato... para não misturar departamentos.
Áh! E já agora... prometo que vou fazer auto-crítica!
Não contem com o terramoto de Lisboa (pedir tanto seria demais...) mas apetece-me arejar as fundações.

terça-feira, abril 24, 2007

A memória curta....


É provavelmente uma defesa natural do "homo lusitanus".

Uma forma inconsciente de ultrapassar a angústia existencial, este estar aqui sem conseguir mudar o mundo, ao menos o seu pequeno mundo interior...

Quando era miúdo as realidades eram outras. Já havia fome, mas, ao contrário do regime, era muito mais democrática.
Os miúdos de barriga cheia eram menos e transportavam com enfado e desdém os seus farnéis para a escola (na altura muito mais pública).

Quando à hora do lanche se abriam as sacolas para tirar o pão com marmelada ouviam-se alguns colegas, de imediato, com a tradicional expressão tripeira "dá-me uma buca".

E a gente dava. Dava uma, duas ou três até não ter mais, porque ao chegar a casa havia comida na mesa... e para outros, nem sempre ou poucas vezes.

A fome tinha rosto de criança... era subtil, de riso fácil e revolta tranquila.
Tinha sapatos furados, quando havia.
Não tinha sacola e livros nunca... e mesmo escola...

Repetia os anos sem rancor pelo sistema e carregando a cruz das aprendizagens difíceis, como se se pudesse aprender de barriga vazia.
E calava-se. Aguentava sossegada que o Pai era tirano e tinha mau feitio...

A miudagem aguentava, nesta alegria pobre e, talvez por isso, alucinada...

E assim, quando chegou Abril, eu achei que era tempo de mudança.
Não tinha, até aí, tido a necessidade de criticar o sistema e sofrer na pele a falta da Liberdade...
Era miúdo e as minhas preocupações eram outras. Vivia ainda no tempo de D'Artagnan e Lagardere... e obcecado pelos livros dos cinco e pelos gelados Olá e Rajá nas praias possíveis da Leça da Palmeira.

A guerra colonial tocava-me ainda marginalmente, quando os Tios de Angola nos visitavam, de longe a longe (carregados de novidades japonesas) e quando a minha mãe nos seus suspiros aflitos nos imaginava, ainda pouco homens, no combate contra os terroristas...

No Natal percebíamos que já havia mães a viver a angústia ao ouvir as mensagens de Natal.
E tínhamos Fátima em directo pela TV.
Dias de Maio intermináveis com a família reunida à espera de um andor...

E gente de joelhos esfolados, em sangue, a cumprir as promessas dos outros... a prometer pelos outros... pelas vidas que não lhes pertenciam...

Por isso, também, gostei dos tempos de mudança...

Passaram muitos anos... desde Abril de 74. E continuo a lembrar com uma lágrima nos olhos os dias que vivemos.
Nas mudanças mais subtis - como o copo de leite para todos na cantina do nosso ciclo preparatório - como nas mais profundas...

Quantos de nós, hoje, imaginariam um ano inteiro de trabalho sem férias pagas?!
Quantos de nós imaginariam não poder discutir a temática das pensões de reforma, por não haver pensões de reforma...

O País era pobre. Continua pobre...

Mas a nossa maior pobreza, é, seguramente, a nossa fraca memória!

E por isso, hoje, quero lembrar Abril! Lembrando o dia 24 e o dia 25!
Porque um só faz sentido a seguir ao outro!
Porque afirmar a liberdade importa, sobretudo quando sentimos a injustiça do silêncio.

25 de Abril, não se nega. Goste-se ou não do País que daí nasceu, é por ele que podemos, ainda hoje, gritar o que pensamos!

Hoje... mesmo que nos apetecesse... ninguém cala os outros!
E ninguém nos cala a nós!

domingo, março 25, 2007


O Homem deve estar às voltas no túmulo!


Está concerteza!
É que ele, que até foi um estadista virado para a disciplina e o método, Um partidário de um país a duas cores apenas... ao estilo bem característico do seu Amigo Cerejeira... vê-se agora envolvido nestas coisas do "poder do povo".
Tudo o que é a possibilidade de escolher entre mais que dois lados... é demais!
E tem agora que gramar com uma eleição nacional para decidir se foi ou não o Maior Português de sempre.
Por acaso, porque se trata de Grandes Portugueses de Hoje mas também de antes, eu acho que devia ser como no tempo de Salazar:


A haver eleições... até os mortos deviam votar!

segunda-feira, março 05, 2007

O fruto proibido!


Por princípio, não gosto de proibições!


Não sei se é por ter nascido na década de sessenta, ainda o Maio corria nos ventos da Europa...


Não deve ser. Porque o Maio só chegou ao nosso Burgo já eu era espigadote!


Pode ter sido por ter vivido os meus primeiros doze anos em tempos de ditadura (maldita, mas pouco dura que os meus Pais não provocavam o sistema... juraram inclusivamente não ser comunistas para poder ensinar as futuras gerações de guerreiros coloniais).

Até pode ter sido por ter amadurecido depois da madrugada de Abril... ter conhecido o dogmatismo de alguns que se diziam pela Liberdade... a arrogância de outros que criticavam esses mesmos dogmatismos e anunciavam que a democracia é um verbo de encher...

Pode Ser!

Pode ter sido por tantas razões!

Mas a verdade é que eu continuo a achar que devia ser proibido proibir!

Até porque, normalmente, cá pela Lusitana Nação, não resolve.

É proibido andar em excesso de velocidade nas auto-estradas, estradas Nacionais e dentro das localidades... NOTA-SE!

É proibido deitar lixo para a Rua, para as praias, nas montanhas... NOTA-SE!

É proibido buzinar dentro das cidades... NOTA-SE!

É proibido passear cães perigosos sem açaime e trela... NOTA-SE!

Mas estes exemplos são claros atentados ao bem comum!

São casos em que a responsabilidade individual colide directamente com os interesses colectivos.

Nestes casos... mais importante que proibir é responsabilizar!

Educar!

Que, de facto, a cultura é muito mal tratada pela nosso rectângulo Luso.


Mas este post, não pretende focar os casos da violação dos direitos dos outros.

Pretende tratar de um tema, polémico, mas que nos toca a todos, na medida em que se refere a um dos maiores flagelos da nossa era: A Droga.

Valerá a pena proibir?!

E, proibindo... resolvemos o problema?!

Quando apanhamos os infractores, nomeadamente os toxicodependentes, acabamos com o problema?!

Quando, de longe a longe, são presos os grandes traficantes, acabamos com o negócio?!

Que não haja dúvidas! A droga é um flagelo! Uma chaga social que mina, principalmente, os mais jovens e lhes compromete, de forma irreparável, os melhores anos da vida.

A droga ameaça as famílias. Todas! As desatentas, claro, porque chega sorrateira e se instala rapidamente, mas também as mais atentas, porque está ainda por explicar extensivamente o fenómeno da adição.

A droga desarticula o tecido social. Cria desconfiança entre os cidadãos, onera os contribuintes, entope os hospitais com casos desesperados e que teimam em regressar até à desgraça final!

E é por isso que eu pergunto! E é uma primeira pergunta de muitas outras que irei fazendo...

Não valerá a pena regulamentar o uso!

Despenalizar o uso!

Fornecer a droga a preços reais a quem não pode fugir dela?!

E criminalizar apenas os que incitam ao consumo?!

Porquê?!

Antes de mais... porque cada ser humano tem direito à escolha!

Mesmo que a sua escolha seja um caminho impossível!

segunda-feira, fevereiro 19, 2007


Nada pior do que a falta de pão... para que todos ralhem sem ter razão!

E o problema agrava-se quando, tradicionalmente, alguns tinham o hábito infeliz, (ou porque são mais atrevidos, mais resmungões ou apenas lambões), de açambarcar o pão dos outros.

A raiz do problema está no facto da distribuição dos recursos andar ao sabor da vontade dos governos da Nação.
Não é um problema de cada governo em particular, apesar de reconhecer que a distribuição pode seguir critérios desviantes, mas da organização do País.
Mas desde quando não foi assim?!

Há já alguns anos os Portugueses optaram (através de um referendo de carácter vinculativo bem discutível) por enfiar na gaveta da indiferença o projecto de Regionalização.

Os pretextos foram os do costume... que ia aumentar a corrupção, o compadrio político, a despesa pública.
Acrescem ainda os argumentos sobre a unidade Nacional, a indivisibilidade da mais velha Nação da Europa...

E um enormíssimo Etc.

Enquanto isso, por artes demoníacas, o Tio Alberto João foi furando a ilha de lés a lés, fazia um aeroporto com Betão para cimentar o país todo, e consolidava um sistema de "empregamento regional" capaz de garantir as suas fantásticas vitórias eleitorais.
Financiava os clubes da região, os jornais da sua propaganda, as TêVês do seu contentamento.
Ao inviabilizar a regionalização do nosso querido Portugal, criava-se espaço para envios mais volumosos de capital para a pérola do Atlântico.

Por cá, com o projecto da regionalização na gaveta, provavelmente deixou de haver corrupção, os autarcas apresentam as suas parcas declarações de rendimentos a tempo e horas, não desviaram fundos da rés pública, não empregaram familiares... não têm ligações duvidosas a clubes de futebol, nem situações de promiscuidade com a construção civil...

Nada disso!

Com o "arquivamento" da regionalização tudo anda sobre carris!

Ou seja...

Os desmandos do Tio Alberto, justificam-se a si próprios.
Provam que a melhor forma de fazer política é na boa tradição do Nacional espertismo.

Vale tudo! Insultar o Presidente da República - o Sr. Silva - chamar ladrões aos membros do governo, anormais aos juízes, cretinos aos jornalistas, enfim a todos os poderes do estado democrático.

O único poder que ele aceita, para além do seu, é o de Deus e mesmo assim, desde que ande sossegadinho. (E não se lembre de inventar padres esquerdistas).

Como me custa ver que tantos anos após o referendo da regionalização ainda não tenhamos compreendido que a única forma de gerir um País é a responsabilização de cada uma das suas partes (leia-se regiões).

A única forma de poder fazer um País mais solidário, não passa pela atribuição de orçamentos megalómanos aos Bébés chorões da Política à Portuguesa, mas sim à distribuição racional dos recursos e das competências por cada região, respeitando como é evidente, os critérios de solidariedade que o facto de sermos um País impõe.

A última do menino birrento é convocar eleições antecipadas para poder provar a todos os energúmenos do continente que quem manda na Madeira é ele!
Assim como assim, sempre consegue dois anos extra para enfrentar os tempos das vacas magras...
Prevê-se um chinfrim capaz de irritar os mais santos dos santos.

domingo, fevereiro 11, 2007


Os dados retirados do site do stape não deixam dúvidas: http://www.referendo.mj.pt/Pais_compare.do


Mas... há dados curiosos... e eu trago ao blog os resultados, em particular, de uma freguesia do nosso País real. Rabo de Peixe. Conhecem?!


Trata-se de uma pequena freguesia da Ilha de S. Miguel, (Açores) que ficou tristemente conhecida por ter corrido à pedrada os médicos que tentaram promover a importância do planeamento familiar.
Isto já foi há muitos anos e prova que, mesmo em certas zonas da Europa, há sempre evolução.


9 anos depois do primeiro referendo há uma notável progressão do sim, quando comparado com o Não.

O Sim passa de 9,73 % para 29,25 % (É obra!)

E isto tendo em linha de conta que falamos de uma freguesia onde os filhos são muitas vezes também meios-irmãos, netos e outros graus de parentesco afins...


E aí vai o gráfico:









Hoje o País adormece mais tolerante!

e amanhã... acorda com esperança!

E eu acredito que a Natália, hoje, se sentiria ainda mais orgulhosa em Ser Portuguesa!

Um dos seus grandes combates teve agora um dia grande, com o Povo a reescrever a história.

Obrigado Natália Correia pelo teu exemplo de cidadania e inconformismo que nos provou, sempre, que ser Mulher é ser mais alto!

a João Morgado (CDS)

«O acto sexual é para ter filhos» - disse, com toda a boçalidade, o deputado do CDS no debate anteontem sobre legalização do aborto. A resposta em poema, que ontem fez rir todas as bancadas parlamentares, veio de Natália Correia. Aqui fica:

Já que o coito - diz Morgado -
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino;
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca-truca.
Sendo pai só de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou - parca ração! -
uma vez. E se a função
faz o orgão - diz o ditado -
consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado.

NATÁLIA CORREIA

Diário de Lisboa, 5 de Abril de 1982.

sábado, fevereiro 10, 2007


Hoje... Estou a reflectir...

Para amanhã VOTAR!

Porque votar é ser livre!

Por essa razão, até ao fecho das urnas, todos os meus textos sobre o referendo passam a "rascunho".

domingo, fevereiro 04, 2007

O Aborto


Segundo a enciclopédia de Medicina da selecções do reader's digest um aborto é:

"Perda do feto antes da 22ª semana de gravidez ou antes da sua viabilidade (capacidade para sobreviver fora do útero)"

É claro que nunca se utiliza a palavra bébé... filho... criança... anjinho e por aí fora.
Sabiam que, abaixo de um peso específico, os médicos nem consideram a hipótese de entregar o feto aos pais... é pura e simplesmente tratado como qualquer outro produto para incineração?

É também claro que medicamente se entende que um prazo nunca é exacto... mas estamos a falar de 22 semanas contra as 10 semanas que estamos a referendar.

E porquê 10 semanas?!
Chegam?!

Muitas vezes, a esmagadora maioria das vezes, é mais que tempo para a mulher saber que está grávida, que algo correu mal no seu método contraceptivo.
É o tempo necessário para ter já pensado mil vezes se leva ou não a gravidez a termo... e... muitas vezes... ter decidido que não!

E hoje, com a lei que temos... JULGAMENTO E HUMILHAÇÃO!

Porque mesmo muitos dos que dizem que não pode ser discriminalizado, entendem que a prisão é uma pena exagerada...

Basta a humilhação pública no pelourinho dos jornais!

E tudo isto por um acto que se situa no cinzento da dúvida!
E tudo isto por algo que todos nós já vimos ou soubemos acontecer!

Por isso, voto SIM!

Vamos falar de direito à maternidade! De direito à escolha!

Mas, primeiro, acabemos com a humilhação e votemos SIM!

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Quero ser a gota de água!


O meu Amigo João Lopes, do blog http://www.o-observatorio.blogspot.com/ disse-me um dia, quando me deu o pontapé necessário para me iniciar nesta coisa da “blog-o-esfera” que um texto, para ter algum sucesso, não poderia ser muito longo.

E eu sei, acabei por verificar, que isso é bem verdade.

No dia a dia não temos tempo a perder e, por essa razão, não damos tempo a textos mais longos. Abrimos este e aquele blog, damos uma espreitadela rápida e partimos para outro, depois do comentário mais ou menos convencido…

Mas hoje… no intervalo do que ouço, apetece-me escrever, que é mais ou menos a mesma coisa que falar comigo…

Apetece-me passar a noite toda a discutir um tema que me preocupa… e me preocupa apesar de, e talvez por isso, não ser mulher.

A questão da despenalização da interrupção voluntária da gravidez, o tal de aborto que os partidários do NÃO tanto gostam de lembrar, incomoda-me.

Incomoda-me porque é um sinal dos tempos!

A prova de que vivemos num mundo de mentira, numa época de hipocrisias disfarçadas de moralismos e de respeitos intermitentes pela vida.

Hoje ouvi um médico, ginecologista, defender o não, a pretexto de que, às dez semanas de gestação, um feto já é uma vida, devidamente “ecografável”, onde podemos ver uma futura criança.

Não pensa assim quando falamos do filho de uma violação. Essa criança, provavelmente, já não é para ele tão digna de respeito como o filho de uma relação de prazer mais explícito.

O mesmo médico, entende que a despenalização do “Aborto” vai onerar todos os contribuintes. Que as clínicas privadas passarão a facturar à nossa custa!

Até onde vai a vontade de distorcer os factos?!

Será que não é possível defender o não baseado apenas naquilo em que se acredita?!

Quando, um dia, porque um dia assim será, a interrupção voluntária da gravidez não for crime, poder-se-á recorrer a clínicas privadas sem o medo do castigo… mas cada um pagará o seu aborto!

Se recorrerem a um hospital público, é verdade que pagaremos todos… mas não pagamos já?

Alguém se preocupa em rastrear os custos do tratamento das complicações dos abortos ilegais?

Será que os argumentos contra a despenalização não têm por trás o princípio milenar de que o que é proibido é, necessariamente, mais caro?

E de que não é por ser mais caro que acontece menos?

A questão da despenalização da interrupção voluntária da gravidez é o último grande combate pela “autodeterminação” da mulher enquanto cidadão.

Durante milhares de anos deu-nos – a nós, machos “procriativos” – imenso jeito que a mulher engravidasse. Era assim uma espécie de maldição punitiva pelo pecado original que servia para segurar ao miolo da caverna a potencial “galdéria”.

O Homem partia para a caça, mais ou menos garrido com as suas pinturas tribais, acampava pelo mundo, invadia territórios alheios, violava as mulheres dos menos afortunados e, quando voltava para a sua gruta lá encontrava as mulheres e a prole, encostadinhos à pedra do Lar, à volta do calor do fogo…

Depois, bastava apenas cumprir a função. Atingir o seu orgasmo breve e solitário e garantir o sossego da fêmea enquanto os novos caçadores cresciam…

Outros tempos…

Mais tarde, a mulher deu-se ao luxo de pensar - que isto da escuridão das grutas é para o que dá – e, de forma subtil mas persistente foi introduzindo cambiantes fatais na relação humana.

Terá inventado a dor de cabeça como primeiro método de planeamento familiar… (e nem quero imaginar as lambadas, as mordidelas e outras fantasias masculinas para contrariar a maleita…), descobriu o poder das luas, a sua força nos seus ciclos vitais (e com isso desenvolveu a suas capacidades lógico-matemáticas, a astrologia…), a força do diálogo, nem que fosse preciso inventar mil e uma noites de fantasias…

Porque milhares de vidas à volta de caldeirões fumegantes dão força à magia… descobriu poções, métodos capazes de adiar os filhos (e de os desfazer quando tarde fosse…), descobriu que esse deus punitivo dos fins do paraíso não havia fechado as portas todas…

E descobriu também… a força do prazer.

Reinventou o sabor da maçã!

Porque nem só de dores de cabeça se faz, ou pode fazer, o universo feminino.

E, com esse prazer carnal, à volta do pecado original, regressa sempre o problema inicial:

Que é a capacidade, ou não, de decidir o momento certo para a maternidade…

O problema, até pode nem ser meu… (fosse eu capaz de ser assim, tão distante, da mãe que nos gerou…)

O problema pode até ser apenas das mulheres…

Mas se é assim… porque nos preocupamos tanto em julgar?!

Mais… em castigar!

Porque, ao votarmos (ou não) no próximo referendo, estaremos apenas a decidir o mais importante:

É crime?!

Deve ser castigado?!

Por isso voto sim! Um sim ao direito a escolher!

Mas que é um não, muito claro, ao castigo!

Os que votam não… terão os seus telhados cheios de pedras para atirar aos outros… e por isso, na provável culpa do remorso antecipado, vão inventando desculpas fáceis para acusar os outros… as descuidadas… as galdérias… as inconscientes… as promíscuas… as lascivas… as desprevenidas… as esposas submissas (incapazes das milenares dores de cabeça)…

Ou podem, apenas, não estar a ver o problema… ou nem querer saber…

E Deus… esse grande Deus capaz de perdoar… vai vendo o filme passar, no desenrolar fantástico do grande livre arbítrio, forja do melhor e do pior da humanidade…

A vida, no gesto criador, está muito para além da biologia… repousa sobretudo no direito à escolha!

É nisso que acredito!

Por isso voto SIM! Um SIM à liberdade de escolha.

Um SIM à responsabilidade!

Porque ser MÃE é uma coisa muito séria!