quinta-feira, dezembro 08, 2005

vamos lá começar pelo fim

Vale sempre a pena ter um norte ,sobretudo quando ao longo da história fomos sempre fazendo das tripas coração a troco de uma identidade progressivamente centralizadora e que , apesar de décadas de democracia(???) , decididamente aposta hoje em sufocar de vez uma grande região donde «Houve nome Portugal»...
Ter um norte é não perder de vista donde vimos, quem somos e o que queremos . Povo que ancestralmente viveu e conviveu desde o cabo Finisterra até às terras de Santa Maria , irmanados pelas agruras de um clima agreste , tenazmente defendendo o que é nosso , sem esperar por mais do que ter saúde para enfrentar o desafio de viver. Falamos desde há longos séculos uma língua com muitos Bês e poucos Vês e isso demonstra apenas a fidelidade às nossas raízes. Deste Galaico-Duriense derivou mais tarde a Língua Oficial Portuguesa , interessante não ?
O Norte portanto ,asfixiado pelo tal centralismo , atravessa hoje a sua mais profunda crise das últimas quatro ou cinco décadas , deve no meu entender desprender-se da vã esperança de soluções oriundas do seu exterior físico e voltar a pensar em si mesmo como unidade sócio-cultural e económica capaz de encontrar solução para a sua doença mortal , o centralismo . Ora como os nossos irmãos galegos têm também um longo historial com um diagnóstico idêntico ,um pouco atenuado pelo ainda recente estatuto autonómico ,talvez se possa encontrar resposta nessa comunhão de interesses e cultura que é o Noroeste Peninsular ou melhor , a Portogalícia.
Caros nortenhos deixem de uma vez por todas de criticar Lisboa ,a gente sabe bem do que ela sofre , avidez crónica dos nossos impostos , deixem lá o sul para ir de férias na páscoa ,tem um clima porreiro e é quase tão barato como Marrocos..
Nada esperem também do rebanho partidocrata , contaminado até ao nível local pela brucelose centralista,nada lhes pode valer . Só um forte movimento de opinião poderá gerar as sinergias suficentes , bem como as lideranças urgentes . Perante o estado a que nos fizeram chegar , em breve ambas surgirão.

5 comentários:

Eduardo Leal disse...

Ora finalmente chegou o primeiro contributo para esta página.
E que contributo!
Lúcido e cortando com certo tipo de atavismo bairrista que por vezes grassa por aqui.
É exactamente essa atitude que muitas vezes provoca algumas incompreensões de gentes que também poderiam repensar as suas diferenças e culturais e portanto, afirmá-las.
Ainda hoje acredito que uma das principais razões que levou o projecto da regionalização a não vingar, para além de assentar num mapa regional desastrado (terá sido de propósito?!) foi o tipo de defensores apressados no projecto, provavelmente mais interessados num lugar ao sol numa possível região Norte que no bem estar e desenvolvmento da região Galaico duriense.
O poder central agradeceu-lhes o serviço, apesar de nem isso terem sido capazes de aproveitar, ao menos com bons serviços ao País.

nuno fontoura disse...

MUITO BOM blog!
E é caso para dizer: "e que dois que se juntaram!..."
E por acreditar que bastam dois bons bloggers para se crie uma onda se associativismo cibernauta Galaico-Duriense juntarei, sempre que possível, o meu humilde mas crítico comentário...
Difícil será, acreditem, colocar de lado algumas expressões mais bairristas pois é muito frequente quantificar (porque já conhecemos a qualidade!!) a avidez e sofreguidão aglotinadora da capital... Torna-se quase inevitável! Ou melhor, ineBitável! Curiosa a semelhança com INABITÁVEL... que é como este país quase está!
Continuem e bem hajam...

vatamico disse...

Tudo isto é culpa do gajo que bateu na Mãe! Se por acaso ele num momento de mau feitio não resolvesse desancar o mapa de cima pra baixo, hoje provávelmente estavamos aqui a hablar algo parecido com a lingua que o Futre aprendeu em 3 dias e estavamos a comer paella com duas castanholas a fazer de piercings, contentes da vida.Vamos reconhecer que ele tinha falta de visão estratégica,e acima de tudo era um pouco desorientado! A Mãe já se sabe que era uma doida e a porrada que levou nem sequer entrou nas estatisticas de violência familiar(como tantas outras) e nós ainda hoje sofremos por isso!

blogoexisto disse...

Eh lá...
Bom artigo, sim senhor... bom artigo!
Tenho, para mim, que o problema de norte é ter estabelecido como "norte", o sul... quero dizer, ter como referência Lisboa! (Não... esperem... não se irritem... eu explico melhor):
às vezes parece que se estão sempre (ainda que inconscientemente) a comparar com Lisboa quando, no fundo, deveriam projectar a sua idenetidade tal como ela é para "fora de portas"!
Bem, reconheço, estou a falar do que não sei... se calhar nem é nada disto!

Carmen disse...

Bem,finalmente José!!
Aguardamos mais contribuições, que a julgar por esta,bem vale a pena esperar.