sábado, março 04, 2006

Como gosto de lixo! – parte I


O lixo é uma coisa boa...
É verdade! Acreditem! O lixo é nosso Amigo!
Todos nós conhecemos pessoas que têm o lixo bem à beira da porta de casa. Que o vão acumulando e enriquecendo criteriosamente.
Umas cascas de batata hoje, restos de fruta já podre, excrementos do gado vacuum e todas as espécies de matéria orgânica que se podem acumular e transformar.

Sinais dos tempos, porque não era muito bonito nem higiénico acumular tanta matéria em decomposição tão em cima da família, tenho na minha casa do Porto uma pequena central de compostagem onde vou depositando o meu lixo doméstico.
É bonito ir vendo o meu lixo crescer e transformar-se progressivamente na futura terra dos meus canteiros.

É verdade! Gosto muito do meu lixo!

Há outro tipo de lixo do qual eu gosto menos, que é assim como aqueles conhecidos com que nos cruzamos, mas pelos quais não podemos afirmar ter afectos profundos.
Estou-me a referir a todas as garrafas que usei, aos papeis que vou utilizando e perdem a serventia, aos plásticos (os plásticos, meu Deus, quanto se poderia dizer sobre eles), as pilhas sem carga e todas as infinitas embalagens que usamos no nosso dia a dia de animal consumista.
Mas não é por não sermos Amigos intímos que gosto menos deste lixo.
Aprecio-o. Não a sua companhia, mas o que ele ainda pode fazer por nós. Que é muito. Não duvidem. Basta que lhe dediquemos a atenção necessária.
Com alguma periodicidade (demasiada, o que quer dizer que gastamos demais) lá vou ao ecoponto depositá-lo, cada lixo em sua cor.
Porque entendo que faço demasiado lixo, troquei as pilhas descartáveis por pilhas recarregáveis, trago o menor número possível de sacos plásticos do super-mercado e vou-me forçando (não é fácil) no sentido de contrariar maus hábitos diários.

Também posso dizer, em função disto, que tenho alguma simpatia por este lixo menos domesticável!

Há ainda outro lixo, que também vai aparecendo cá por casa, que me consome o juízo.
É do tipo daqueles sujeitos que aparecem sem ser convidados e tardam em ir embora.
Os óleos alimentares, as tintas que sobram em cada pintura que fazemos e imensos produtos químicos que os ecopontos não aceitam. (O do Porto, pasmem, não sabe o que lhes fazer! Sugere que se misturem com o primeiro tipo de lixo, assim do género: porque não faz uma caldeirada?!)

Pobre lixo que parece tão imprestável!
Como é evidente, quando organizada, a sociedade pode voltar a dar dignidade a estes detritos, transformando-os em novas coisas.
É preciso vontade política, que o mesmo é dizer, vontade de fazer algo pela sociedade em que vivemos.

É por estas razões que fico imensamente triste quando vejo maltratar algo de tão precioso como todos os restos de coisas boas que referi.
Fico triste, imensamente triste, quando vejo que vivo num País em que o Povo é capaz de abandonar este tipo de riqueza em qualquer ponto do pequeno rectângulo Nacional, desde o litoral ao interior profundo.
Fico chocado quando, em plena Serra da Freita (lá para os lados de Arouca), ao olhar para o espectáculo que é a Frecha da Mizarela (uma cascata lindíssima) podemos em simultâneo observar a publicidade à Coca-cola (a de sempre), às águas puras do Luso, do Caramulo, da serra da estrela e a várias marcas de batata frita e produtos afins, criteriosamente espalhados pela encosta do miradouro.

Temos um País que deve ser visto pelos seus habitantes como um grande Ecoponto, do tipo polivalente, em que tudo se pode misturar para dar um resultado multicolor.

Pois é! É exactamente porque Amo o meu lixo que acho que o devemos tratar bem.

Mas adiante... porque este artigo já vai longo... amanhã ou depois escreverei a parte II que será sobre a tão falada co-incineração. Aliás, temo que tenha que escrever também a parte III. Depois veremos!

11 comentários:

mafarrico disse...

Bem... Eduardo. Há gente com gostos muito esquisitos.

Mas parece-me bem!

O aroma lá por casa, com esse tipo de paixões não deve ser muito convidativo.
Um pouco infernal... não?

Belzebu disse...

Esse teu hálito nunca me enganou!
E sempre que dizias que não eras necrófito eu estranhei!

Belzebu disse...

OPS! O NECRÓFITO NÃO CORREU NADA BEM!

nunofigueiredo disse...

Pois tem todo o sentido que tratemos bem o nosso lixo.

Agora que a minha filha ja sabe a cor dos ecopontos, já não tenho desculpa para não fazer a seleção do lixo.

Sou de uma geração que olha o lixo como ....... LIXO.

Sulista disse...

Livra!...até já chega aqui o cheiro :-(

Agora a sério, acho muito bem essa separação e cuidado com os livxos diferentes...nas Escolas por onde tenho passado, tem-se feito um trabalho interessante com os miúdos no sentido de "em pequenino é que se torce....", em acções de formação, trabalhos e projectos desenvolvidos com esse objectivo/lema - de cuidar do ambiente, de separar os lixos, de reutilizar/reciclar, etc...

Aguardo a II, III e mais partes deste tema :-)

blogoexisto disse...

Tal como em muitas outras situações, penso que também em matéria de lixo temos no país duas realidades: uma camada mais sensibilizada para a necessidade da política dos 3 R's (reduzir, reutilizar e reciclar) e outra camada mais empenhada em colorir o país com uma considerável variedade de lixos(tipo a serra da freita). Cada uma destas camadas é atravessada por todo o tipo de pessoas: vai desde o cidadão comum até altos responsáveis políticos (nomeadamente autarcas)!
Com diria o outro: é a vida!!!

nunofigueiredo disse...

então eu que para ir ao SALVA ALMAS tenho que ir pela serra da freita tenho que passar pela lixeira?!!
Tá mal.

JL disse...

Eu sei, amigo, que tratas bem o teu lixo e que lhe dás o destino que os nossos avós lhe davam. Publica aí uma foto desse "instrumento" que se encarrega de fazer a decomposição sem que, no entanto, alguém dê por isso.

Anónimo disse...

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