
O que mais me incomoda nesta nossa sociedade... é o "non sense".
É o tipo de coisa que só tem graça em certas áreas da nossa vida, digamos que... mais recreativas.
Mas, principalmente em áreas onde deveria imperar uma certa lógica, uma forma de estar que protegesse o cidadão, preocupa-me de sobremaneira.
Como já referi por várias vezes, este ano tive alguns contactos com a justiça, quer como testemunha em processos alheios, quer como queixoso num outro processo.
No último caso, levei à barra do tribunal os vizinhos do lado por razões de má vizinhança, que, entre muitos outros assuntos, incluiam danos materiais provocados na minha casa.
O caso até que não correu mal, tendo conseguido um julgamento em tempo record, isto é, ao fim de dois anos.
Como tínhamos sido vítimas de agressão (quebra de vidros no meu terraço) houve lugar a dois processos: um processo crime (com pedido de indeminização por danos materiais) e outro cível (para reclamar indeminização por danos morais).
Ganhámos os dois!
A Juíza decidiu.
Está decidido!
No caso do processo crime, a ré foi condenada e terá que nos pagar os 140 € dos vidros quebrados, tendo ficado com o registo criminal preenchido com a condenação. Para além disso pagará uma multa ao tribunal e as custas do processo crime.
Menos mal! (Principalmente se tivermos em linha de conta que, mesmo quando manifestada a intenção de lhe perdoarmos, se dispunha a pagar os 140 € em 14 prestações mensais)!!!
O problema... vai ser receber os tais euritos!.
Quanto ao processo cível, o tal do pedido de indeminização por danos morais (pedíamos 5.000 € - que vos posso garantir que nunca pagariam os traumas provocados pelos maus vizinhos), uma vez que ficou provada a culpa da ré e que a agressão em questão não era um caso isolado bem como que, para além dos seus maus instintos, ainda tinha a desgraça de não ter muitos rendimentos... a juíza, senhora bondosa e compreensiva... determinou que 5.000 € se tratava de um exagero e condenou a ré ao pagamento de cerca de 200 €.
Ficaria para a história e para a melhoria do ambiente na rua, a condenação dupla, o cadastro para a meliante e a multa, custas e indeminizações aos queixosos!!!
Até que nem me pareceu mal!
O problema é que até à data ainda não vi a cor do dinheiro e falta-me pagar à minha advogada (sendo certo que sei de antemão que a conta superará os proveitos).
Parece-vos mal?!
Ficam estupefactos?
Acham isto completamentamente inusitado???!!!!
Então que dizer quando recebi em casa a conta das custas do processo cível?
Ora bolas para a justiça!
Os ministros da mesma, os juízes mentecaptos, os advogados cooperantes, os oficiais diligentes, os réus criminosos e os inocentes e os queixosos que, como eu, ainda acreditam... Que vão todos para o raio que os parta!
É que eu acabo de pagar 240 € de custas de um processo que ganhei e no qual me foi atribuída uma indeminização de 200 €, porque a bondosa da juíza entendeu que a pobre ré, sendo uma refinada bandida não deixa de ser pobre e, por essa razão, os queixosos que paguem a crise!
Já só nos faltava esta!
Ao menos a justiça podia aprender braille... sempre ia podendo acompanhar os processos e julgar com juízo e bom senso!
Não vos parece?!
Já agora... como não podia deixar de ser... ainda não recebi nada, mas já paguei as custas. Não vá um juíz qualquer acordar mal disposto!
Ainda pensei meter a juíza em tribunal... mas como o processo ia acabar por ser julgado por um colega dela... achei melhor estar quietinho... ou não fosse acabar por levar no focinho!