domingo, março 25, 2007


O Homem deve estar às voltas no túmulo!


Está concerteza!
É que ele, que até foi um estadista virado para a disciplina e o método, Um partidário de um país a duas cores apenas... ao estilo bem característico do seu Amigo Cerejeira... vê-se agora envolvido nestas coisas do "poder do povo".
Tudo o que é a possibilidade de escolher entre mais que dois lados... é demais!
E tem agora que gramar com uma eleição nacional para decidir se foi ou não o Maior Português de sempre.
Por acaso, porque se trata de Grandes Portugueses de Hoje mas também de antes, eu acho que devia ser como no tempo de Salazar:


A haver eleições... até os mortos deviam votar!

segunda-feira, março 05, 2007

O fruto proibido!


Por princípio, não gosto de proibições!


Não sei se é por ter nascido na década de sessenta, ainda o Maio corria nos ventos da Europa...


Não deve ser. Porque o Maio só chegou ao nosso Burgo já eu era espigadote!


Pode ter sido por ter vivido os meus primeiros doze anos em tempos de ditadura (maldita, mas pouco dura que os meus Pais não provocavam o sistema... juraram inclusivamente não ser comunistas para poder ensinar as futuras gerações de guerreiros coloniais).

Até pode ter sido por ter amadurecido depois da madrugada de Abril... ter conhecido o dogmatismo de alguns que se diziam pela Liberdade... a arrogância de outros que criticavam esses mesmos dogmatismos e anunciavam que a democracia é um verbo de encher...

Pode Ser!

Pode ter sido por tantas razões!

Mas a verdade é que eu continuo a achar que devia ser proibido proibir!

Até porque, normalmente, cá pela Lusitana Nação, não resolve.

É proibido andar em excesso de velocidade nas auto-estradas, estradas Nacionais e dentro das localidades... NOTA-SE!

É proibido deitar lixo para a Rua, para as praias, nas montanhas... NOTA-SE!

É proibido buzinar dentro das cidades... NOTA-SE!

É proibido passear cães perigosos sem açaime e trela... NOTA-SE!

Mas estes exemplos são claros atentados ao bem comum!

São casos em que a responsabilidade individual colide directamente com os interesses colectivos.

Nestes casos... mais importante que proibir é responsabilizar!

Educar!

Que, de facto, a cultura é muito mal tratada pela nosso rectângulo Luso.


Mas este post, não pretende focar os casos da violação dos direitos dos outros.

Pretende tratar de um tema, polémico, mas que nos toca a todos, na medida em que se refere a um dos maiores flagelos da nossa era: A Droga.

Valerá a pena proibir?!

E, proibindo... resolvemos o problema?!

Quando apanhamos os infractores, nomeadamente os toxicodependentes, acabamos com o problema?!

Quando, de longe a longe, são presos os grandes traficantes, acabamos com o negócio?!

Que não haja dúvidas! A droga é um flagelo! Uma chaga social que mina, principalmente, os mais jovens e lhes compromete, de forma irreparável, os melhores anos da vida.

A droga ameaça as famílias. Todas! As desatentas, claro, porque chega sorrateira e se instala rapidamente, mas também as mais atentas, porque está ainda por explicar extensivamente o fenómeno da adição.

A droga desarticula o tecido social. Cria desconfiança entre os cidadãos, onera os contribuintes, entope os hospitais com casos desesperados e que teimam em regressar até à desgraça final!

E é por isso que eu pergunto! E é uma primeira pergunta de muitas outras que irei fazendo...

Não valerá a pena regulamentar o uso!

Despenalizar o uso!

Fornecer a droga a preços reais a quem não pode fugir dela?!

E criminalizar apenas os que incitam ao consumo?!

Porquê?!

Antes de mais... porque cada ser humano tem direito à escolha!

Mesmo que a sua escolha seja um caminho impossível!

segunda-feira, fevereiro 19, 2007


Nada pior do que a falta de pão... para que todos ralhem sem ter razão!

E o problema agrava-se quando, tradicionalmente, alguns tinham o hábito infeliz, (ou porque são mais atrevidos, mais resmungões ou apenas lambões), de açambarcar o pão dos outros.

A raiz do problema está no facto da distribuição dos recursos andar ao sabor da vontade dos governos da Nação.
Não é um problema de cada governo em particular, apesar de reconhecer que a distribuição pode seguir critérios desviantes, mas da organização do País.
Mas desde quando não foi assim?!

Há já alguns anos os Portugueses optaram (através de um referendo de carácter vinculativo bem discutível) por enfiar na gaveta da indiferença o projecto de Regionalização.

Os pretextos foram os do costume... que ia aumentar a corrupção, o compadrio político, a despesa pública.
Acrescem ainda os argumentos sobre a unidade Nacional, a indivisibilidade da mais velha Nação da Europa...

E um enormíssimo Etc.

Enquanto isso, por artes demoníacas, o Tio Alberto João foi furando a ilha de lés a lés, fazia um aeroporto com Betão para cimentar o país todo, e consolidava um sistema de "empregamento regional" capaz de garantir as suas fantásticas vitórias eleitorais.
Financiava os clubes da região, os jornais da sua propaganda, as TêVês do seu contentamento.
Ao inviabilizar a regionalização do nosso querido Portugal, criava-se espaço para envios mais volumosos de capital para a pérola do Atlântico.

Por cá, com o projecto da regionalização na gaveta, provavelmente deixou de haver corrupção, os autarcas apresentam as suas parcas declarações de rendimentos a tempo e horas, não desviaram fundos da rés pública, não empregaram familiares... não têm ligações duvidosas a clubes de futebol, nem situações de promiscuidade com a construção civil...

Nada disso!

Com o "arquivamento" da regionalização tudo anda sobre carris!

Ou seja...

Os desmandos do Tio Alberto, justificam-se a si próprios.
Provam que a melhor forma de fazer política é na boa tradição do Nacional espertismo.

Vale tudo! Insultar o Presidente da República - o Sr. Silva - chamar ladrões aos membros do governo, anormais aos juízes, cretinos aos jornalistas, enfim a todos os poderes do estado democrático.

O único poder que ele aceita, para além do seu, é o de Deus e mesmo assim, desde que ande sossegadinho. (E não se lembre de inventar padres esquerdistas).

Como me custa ver que tantos anos após o referendo da regionalização ainda não tenhamos compreendido que a única forma de gerir um País é a responsabilização de cada uma das suas partes (leia-se regiões).

A única forma de poder fazer um País mais solidário, não passa pela atribuição de orçamentos megalómanos aos Bébés chorões da Política à Portuguesa, mas sim à distribuição racional dos recursos e das competências por cada região, respeitando como é evidente, os critérios de solidariedade que o facto de sermos um País impõe.

A última do menino birrento é convocar eleições antecipadas para poder provar a todos os energúmenos do continente que quem manda na Madeira é ele!
Assim como assim, sempre consegue dois anos extra para enfrentar os tempos das vacas magras...
Prevê-se um chinfrim capaz de irritar os mais santos dos santos.

domingo, fevereiro 11, 2007


Os dados retirados do site do stape não deixam dúvidas: http://www.referendo.mj.pt/Pais_compare.do


Mas... há dados curiosos... e eu trago ao blog os resultados, em particular, de uma freguesia do nosso País real. Rabo de Peixe. Conhecem?!


Trata-se de uma pequena freguesia da Ilha de S. Miguel, (Açores) que ficou tristemente conhecida por ter corrido à pedrada os médicos que tentaram promover a importância do planeamento familiar.
Isto já foi há muitos anos e prova que, mesmo em certas zonas da Europa, há sempre evolução.


9 anos depois do primeiro referendo há uma notável progressão do sim, quando comparado com o Não.

O Sim passa de 9,73 % para 29,25 % (É obra!)

E isto tendo em linha de conta que falamos de uma freguesia onde os filhos são muitas vezes também meios-irmãos, netos e outros graus de parentesco afins...


E aí vai o gráfico:









Hoje o País adormece mais tolerante!

e amanhã... acorda com esperança!

E eu acredito que a Natália, hoje, se sentiria ainda mais orgulhosa em Ser Portuguesa!

Um dos seus grandes combates teve agora um dia grande, com o Povo a reescrever a história.

Obrigado Natália Correia pelo teu exemplo de cidadania e inconformismo que nos provou, sempre, que ser Mulher é ser mais alto!

a João Morgado (CDS)

«O acto sexual é para ter filhos» - disse, com toda a boçalidade, o deputado do CDS no debate anteontem sobre legalização do aborto. A resposta em poema, que ontem fez rir todas as bancadas parlamentares, veio de Natália Correia. Aqui fica:

Já que o coito - diz Morgado -
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino;
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca-truca.
Sendo pai só de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou - parca ração! -
uma vez. E se a função
faz o orgão - diz o ditado -
consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado.

NATÁLIA CORREIA

Diário de Lisboa, 5 de Abril de 1982.

sábado, fevereiro 10, 2007


Hoje... Estou a reflectir...

Para amanhã VOTAR!

Porque votar é ser livre!

Por essa razão, até ao fecho das urnas, todos os meus textos sobre o referendo passam a "rascunho".

domingo, fevereiro 04, 2007

O Aborto


Segundo a enciclopédia de Medicina da selecções do reader's digest um aborto é:

"Perda do feto antes da 22ª semana de gravidez ou antes da sua viabilidade (capacidade para sobreviver fora do útero)"

É claro que nunca se utiliza a palavra bébé... filho... criança... anjinho e por aí fora.
Sabiam que, abaixo de um peso específico, os médicos nem consideram a hipótese de entregar o feto aos pais... é pura e simplesmente tratado como qualquer outro produto para incineração?

É também claro que medicamente se entende que um prazo nunca é exacto... mas estamos a falar de 22 semanas contra as 10 semanas que estamos a referendar.

E porquê 10 semanas?!
Chegam?!

Muitas vezes, a esmagadora maioria das vezes, é mais que tempo para a mulher saber que está grávida, que algo correu mal no seu método contraceptivo.
É o tempo necessário para ter já pensado mil vezes se leva ou não a gravidez a termo... e... muitas vezes... ter decidido que não!

E hoje, com a lei que temos... JULGAMENTO E HUMILHAÇÃO!

Porque mesmo muitos dos que dizem que não pode ser discriminalizado, entendem que a prisão é uma pena exagerada...

Basta a humilhação pública no pelourinho dos jornais!

E tudo isto por um acto que se situa no cinzento da dúvida!
E tudo isto por algo que todos nós já vimos ou soubemos acontecer!

Por isso, voto SIM!

Vamos falar de direito à maternidade! De direito à escolha!

Mas, primeiro, acabemos com a humilhação e votemos SIM!

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Quero ser a gota de água!


O meu Amigo João Lopes, do blog http://www.o-observatorio.blogspot.com/ disse-me um dia, quando me deu o pontapé necessário para me iniciar nesta coisa da “blog-o-esfera” que um texto, para ter algum sucesso, não poderia ser muito longo.

E eu sei, acabei por verificar, que isso é bem verdade.

No dia a dia não temos tempo a perder e, por essa razão, não damos tempo a textos mais longos. Abrimos este e aquele blog, damos uma espreitadela rápida e partimos para outro, depois do comentário mais ou menos convencido…

Mas hoje… no intervalo do que ouço, apetece-me escrever, que é mais ou menos a mesma coisa que falar comigo…

Apetece-me passar a noite toda a discutir um tema que me preocupa… e me preocupa apesar de, e talvez por isso, não ser mulher.

A questão da despenalização da interrupção voluntária da gravidez, o tal de aborto que os partidários do NÃO tanto gostam de lembrar, incomoda-me.

Incomoda-me porque é um sinal dos tempos!

A prova de que vivemos num mundo de mentira, numa época de hipocrisias disfarçadas de moralismos e de respeitos intermitentes pela vida.

Hoje ouvi um médico, ginecologista, defender o não, a pretexto de que, às dez semanas de gestação, um feto já é uma vida, devidamente “ecografável”, onde podemos ver uma futura criança.

Não pensa assim quando falamos do filho de uma violação. Essa criança, provavelmente, já não é para ele tão digna de respeito como o filho de uma relação de prazer mais explícito.

O mesmo médico, entende que a despenalização do “Aborto” vai onerar todos os contribuintes. Que as clínicas privadas passarão a facturar à nossa custa!

Até onde vai a vontade de distorcer os factos?!

Será que não é possível defender o não baseado apenas naquilo em que se acredita?!

Quando, um dia, porque um dia assim será, a interrupção voluntária da gravidez não for crime, poder-se-á recorrer a clínicas privadas sem o medo do castigo… mas cada um pagará o seu aborto!

Se recorrerem a um hospital público, é verdade que pagaremos todos… mas não pagamos já?

Alguém se preocupa em rastrear os custos do tratamento das complicações dos abortos ilegais?

Será que os argumentos contra a despenalização não têm por trás o princípio milenar de que o que é proibido é, necessariamente, mais caro?

E de que não é por ser mais caro que acontece menos?

A questão da despenalização da interrupção voluntária da gravidez é o último grande combate pela “autodeterminação” da mulher enquanto cidadão.

Durante milhares de anos deu-nos – a nós, machos “procriativos” – imenso jeito que a mulher engravidasse. Era assim uma espécie de maldição punitiva pelo pecado original que servia para segurar ao miolo da caverna a potencial “galdéria”.

O Homem partia para a caça, mais ou menos garrido com as suas pinturas tribais, acampava pelo mundo, invadia territórios alheios, violava as mulheres dos menos afortunados e, quando voltava para a sua gruta lá encontrava as mulheres e a prole, encostadinhos à pedra do Lar, à volta do calor do fogo…

Depois, bastava apenas cumprir a função. Atingir o seu orgasmo breve e solitário e garantir o sossego da fêmea enquanto os novos caçadores cresciam…

Outros tempos…

Mais tarde, a mulher deu-se ao luxo de pensar - que isto da escuridão das grutas é para o que dá – e, de forma subtil mas persistente foi introduzindo cambiantes fatais na relação humana.

Terá inventado a dor de cabeça como primeiro método de planeamento familiar… (e nem quero imaginar as lambadas, as mordidelas e outras fantasias masculinas para contrariar a maleita…), descobriu o poder das luas, a sua força nos seus ciclos vitais (e com isso desenvolveu a suas capacidades lógico-matemáticas, a astrologia…), a força do diálogo, nem que fosse preciso inventar mil e uma noites de fantasias…

Porque milhares de vidas à volta de caldeirões fumegantes dão força à magia… descobriu poções, métodos capazes de adiar os filhos (e de os desfazer quando tarde fosse…), descobriu que esse deus punitivo dos fins do paraíso não havia fechado as portas todas…

E descobriu também… a força do prazer.

Reinventou o sabor da maçã!

Porque nem só de dores de cabeça se faz, ou pode fazer, o universo feminino.

E, com esse prazer carnal, à volta do pecado original, regressa sempre o problema inicial:

Que é a capacidade, ou não, de decidir o momento certo para a maternidade…

O problema, até pode nem ser meu… (fosse eu capaz de ser assim, tão distante, da mãe que nos gerou…)

O problema pode até ser apenas das mulheres…

Mas se é assim… porque nos preocupamos tanto em julgar?!

Mais… em castigar!

Porque, ao votarmos (ou não) no próximo referendo, estaremos apenas a decidir o mais importante:

É crime?!

Deve ser castigado?!

Por isso voto sim! Um sim ao direito a escolher!

Mas que é um não, muito claro, ao castigo!

Os que votam não… terão os seus telhados cheios de pedras para atirar aos outros… e por isso, na provável culpa do remorso antecipado, vão inventando desculpas fáceis para acusar os outros… as descuidadas… as galdérias… as inconscientes… as promíscuas… as lascivas… as desprevenidas… as esposas submissas (incapazes das milenares dores de cabeça)…

Ou podem, apenas, não estar a ver o problema… ou nem querer saber…

E Deus… esse grande Deus capaz de perdoar… vai vendo o filme passar, no desenrolar fantástico do grande livre arbítrio, forja do melhor e do pior da humanidade…

A vida, no gesto criador, está muito para além da biologia… repousa sobretudo no direito à escolha!

É nisso que acredito!

Por isso voto SIM! Um SIM à liberdade de escolha.

Um SIM à responsabilidade!

Porque ser MÃE é uma coisa muito séria!

segunda-feira, janeiro 15, 2007


Hoje tive um sonho estranho.

O que me safa é que não costumo ter sonhos premonitórios.
É mais do tipo "medos recalcados":

Bom. Mas vamos ao que interessa: O Sonho, ou seja, o pesadelo.

Era dia de referendo... à noite... depois da contagem dos votos dos Açores... e o Sim perdia!

E depois?!
De facto eu até nem pretendo fazer nenhum aborto!
Até estou a descobrir que uma atitude assim mais do tipo "salve-se quem puder", os pobres que paguem a crise, traz vantagens interessantes.

Mas... havia uma ideia que me atormentava no reino de morfeu. Onde é que o País iria enfiar todas as pecadoras e seus cúmplices.

Foi então que o pesadelo se transformou em sonho perfeito.

Mas qual OTA, qual TGV!

O que o País precisa é de uma mega-prisão.
Uma grandiosa obra de regime, com quilómetros e quilómetros de betão e ferro, muita mão-de-obra ilegal para engordar o sistema e montes de novos funcionários prisionais para resolver o problema do desemprego.

E missas! Muitas missas para manter o povinho sossegado, em lume brando...
Bem no meio, uma grande catedral, construída pedra a pedra pelos meninos do rio, mandados vir de propósito do Brasil, em homenagem ao milagre da reprodução e da mão-de-obra barata.
Nas escadas da porta principal, pedintes, milhares de pedintes, ao serviço da nossa caridade... funcionários abnegados (os pedintes) da profissão de fé e do sexo original... antes das modernices blasfemas do uso do preservativo. Infectados, como convém em tempo de milagres...

É que, lá dizia o outro - numa versão livre - "o que é preciso é haver, ao menos, uma droga legal".

domingo, janeiro 07, 2007

Psicanálise da luta dos índios contra os cowboys…

Nada mais triste do que não perceber as nossas próprias opiniões, ou, dito de outra forma, a génese das nossas opiniões.

Que os outros não compreendam, é natural, entende-se e é explicável pela falta de visão de conjunto. Pela não participação no processo do nosso crescimento.

Nós só conseguimos ver uma pequena parte da realidade… e é provavelmente essa uma das razões de tantas diferenças de opinião.


O estranho é quando nos apercebemos, de súbito, que num dado momento da nossa vida algo mudou, tendo essa pequena mudança originado uma série de acontecimentos em cadeia que levou à formação de uma outra personalidade, bem diferente do expectável.

Houve um momento em que tudo levaria a acreditar que este sujeito que escreve estas linhas seria um defensor implacável do sonho Americano.

Recordo os primeiros livros, a formação “Enid Blyton” dos meus seis anos de primeiras letras, que se estendeu por alguns anos de infância. Com eles desenvolvi o meu desejo de aventura enquanto percebia que os Amigos fazem parte da história toda. E que sem eles, a história não tem sentido!

A seguir veio o Buffalo Bill, o David Crocket e o David Carson.

A ideia de que o mundo era um território imenso a descobrir e desbravar, empurrando a barbárie para reservas bem controladas enquanto a civilização avançava implacável.

De súbito, a criança que se imaginava num mundo de aventuras sob controlo, passou ao mundo exterior, ainda que num passado mais ou menos longínquo.

E porque todos todos nós aprendemos fazendo, dos bonecos dos gelados Olá, mimetizando os livros dos cinco nas construções dos legos, fomos passando às cowboyadas de rua, com tiros de imitação e a eterna recusa em fazer o papel do índio, entregue invariavelmente ao mais desejoso do apoio do grupo.

Para poder continuar em casa - fora de horas e às escondidas dos pais - a brincadeira preferida, à saída da escola, em vez de apanhar o autocarro de regresso, mentíamos aos pais e regressávamos a casa a pé, quer chovesse ou fizesse sol, para poupar os 2$50 do bilhete.

E a poupança desfazia-se no Bazar dos três vinténs, no balcão do far-west.

Comprávamos os índios e os cowboys (mais dos segundos, sempre, que dos primeiros, para manter a possibilidade de vitória) e iniciávamos a explicação do nosso mundo infantil.

O mundo girava em torno desta guerra civilizacional de plástico, alegoria pueril da nossa imaginação.

Vista à distância, não posso deixar de reparar na ironia do mercado: Um índio custava tanto como um cowboy… (5$00 – duas viagens de autocarro) e a única diferença no preço era o cavalo… sendo que um índio a cavalo valia tanto como um cowboy montado. (exactamente 10$00, ou seja, 4 viagens de regresso a casa).

Com esta criação do mundo, estreei-me na matemática aplicada à vida e compreendi que tudo se constrói peça a peça, mesmo quando se trata de construir um novo mundo.

Ao fim de algumas semanas (estimo que cerca de 60 – o que equivale a dizer 2 anos de ciclo preparatório, descontando as deliciosas e intermináveis férias de verão, de natal e Páscoa) eu e o meu irmão tínhamos um exército colonial à maneira e muitos, mesmo muitos, inimigos a combater.

Com ajuda externa fomos possuindo tendas para os índios e casas para os cowboys, até que um dia construímos, no pátio da nossa casa, o forte dos cowboys.

Mas, ironia das leituras, o tempo que vivia ajudou-me a descobrir outros universos.

Júlio Verne substituiu Buffalo Bill e o miúdo dos doze anos encontrou outras perguntas…

Com o passar dos meses, enquanto os nossos "Bills", os "Kits" e "Crockets" iam vencendo os "nuvens negras", os "bocejos de urso" e outros personagens da nossa imaginação, fomos perdendo o sentido posicional e ganhando afeição pelos fracos.

E um dia, num daqueles domingos estremunhados sem programação televisiva capaz de acalmar os putos, juntámos a pólvora dos cartuchos de caça do vizinho do lado e planeámos a revolta dos índios.

Minámos o forte (o tal que nos tinha custado semanas a construir), colocamos os cowboys em pontos estratégicos e posicionamos os índios nas redondezas, de forma a poderem assistir à grande batalha.

Quando não havia vizinhos nas imediações riscámos o fósforo, acendemos o rastilho e sentámo-nos a assistir à vingança dos oprimidos.

O forte ardeu, todo, os cowboys derreteram em pequenas chamas azuis até serem apenas insignificantes coágulos de plástico no chão e, durante largas horas, abateu-se sobre a casa um cheiro nauseabundo a morte.

E depois… perdeu a graça!

Nos anos seguintes, a imagem dos cowboys aos gritos foi-se apagando da minha imaginação, até que ontem, acordei estremunhado e compreendi porque razão a minha brincadeira favorita tinha acabado.

Para terminar, uma referência a uma das personagens que mais me marcou:

O Tim.

O resto… fica apenas para a vossa imaginação!...

sábado, dezembro 23, 2006

O Natal está a chegar...


Feliz Natal!


Porque o Natal é sempre que o Homem quer...

Mesmo que não seja para todos... porque o Sol, infelizmente, quando nasce não é para todos... importa acreditar, sempre, que as pequenas luzes que agora se acendem, crescerão e iluminarão cada dia mais gente!


E porque o Natal é em toda a parte, aqui vai o meu postal... directamente de Londres para todos os que me visitam neste blogue...


Um Feliz Natal para todos!

domingo, dezembro 10, 2006

Partiu sem castigo!


Morreu hoje um dos mais hediondos tiranos da História recente.



Eu sei que não é fácil estabelecer uma ordem de grandeza no que diz respeito à crueldade de algumas figuras do século passado que, quis a história, transitaram para o século XXI ainda vivas.

Mas importa, agora que Pinochet está morto, não esquecer as suas façanhas, e, sobretudo, tentar castigar todos os que com ele fizeram coro.

É provável que o anterior Papa lhe tenha concedido o perdão... é possível!
Mas não creio que lhe tenha dado a chave do paraíso.

Porque a crueldade, quando levada a certos extremos, não tem justificação.
Muita coisa pode justificar certas atitudes, a forma como se pensa, os gestos que usamos.
Mas em certos actos, a culpa não pode ser só dos pais, de tios malvados ou de uma infância difícil.
Porque no caso deste tirano, não se trata de gostar de um "jogo" um pouco mais duro.
Não é uma questão de mais ou menos "masculinidade", nem uma forma diferente de ver o poder!

É barbárie!
O exercício do poder levado aos seus limites mais horríveis.

Ficam para a história todos os relatos desses dias de "chuva em Santiago".
Ficam todos os orfãos desse Chile mutilado.
Ficam todos os Pais que nunca mais viram os filhos.



E fica sobretudo, esse sabor amargo de um crime sem castigo!


Mas... a morte, essa chegou inevitável e fria. Que a terra lhe pese em cima e que arda para todo o sempre nas profundezas dos infernos!

sábado, dezembro 02, 2006

São todos uns madraços... que o mesmo é dizer: só eu é que trabalho!


Esta é a verdade mais "universalizada" do espaço lusitano!

Como representantes desta espécie invulgar, de escassos 10 milhões entre portas mas capaz da mais espectacular diáspora do segundo milénio, temos concerteza algumas das suas características mais peculiares.

Somos genuinamente auto-críticos mas sabemos parar no exacto momento em que vale a pena começar a introduzir avanços. Não vá perdermos a capacidade de auto-flagelação.

O maior problema desta nossa sub-espécie é o facto de todos serem uns autênticos madraços, incapazes e produtivos, com uma única excepção: cada espécimen em particular...

E é por isso, só pode ser por isso, que quando se tentam introduzir reformas todos nós resistimos quais meninos mimados a serem arrastados pelos pais.

As reformas fazem falta. Sem dúvida! Mas apenas para os outros!
Se somos professores, entendemos que é necessário reeducar os pais.
Se somos pais clamamos pela reforma do ensino e pela avaliação dos professores.

Os Juízes protestam contra os legisladores.
Os advogados contra os juízes...

Os médicos contra os enfermeiros, estes contra os doentes e estes contra os primeiros e os segundos...

Os filhos gritam contra os pais e estes, porque raramente se lembram que são filhos, berram impacientes contra os primeiros.

Os polícias, geralmente lestos na repressão dos protestos alheios reivindicam o direito à indignação.
Os militares idem aspas aspas...

Os políticos, que são genuínos filhos desta gente toda, revoltam-se contra si próprios e... geralmente... não vá a democracia dos votos ser dura e castigadora, aproveitam para ir deixando tudo mais ou menos na mesma.

E é por isso que eu acho, que a paz podre é bem pior que o estado de indignação a que chegámos.
Pode ser que assim, as coisa possam ir mudando.

Para começar... se pudesse ser... eu ia pelo caminho que o Salazar tanto odiava:

A educação! Pode ser que, quando a grande maioria deixar de ser analfabeta e aproveitar para ler o mundo de forma mais esclarecida, se possa olhar em frente, para cima, para os lados (até para trás) e menos para cada umbigo, por mais interessantes que possam ser os ditos cujos.

segunda-feira, novembro 20, 2006

Deus meu! Estou confuso!



Eu cá para mim... a culpa só pode ser da "grande cabala"!

Sim... porque os pobres não têm ar de ter culpa nenhuma...

Os moços andavam à pesca... e deu um tal de cheiro a peixe que não se pode!

Ao da esquerda (livra!) caiu-lhe o mundo em cima. Presidente Silva incluido... mas é uma injustiça, não é?!

Ao da direita nem sei que diga... do que se lembram as autoridades! Dinheiros indevidamente recebidos?! Ná! Não tem cara disso... ele até é mais missas...

A confusão é tanta que já nem sei que diga!

terça-feira, novembro 07, 2006

Por debaixo da carpete...

Preconceito nº 5

A despenalização da IVG faz disparar os números do Aborto!


Mas alguém acredita nisto!?
Será que anda tudo doido... ou será apenas má fé?

Dizem os detractores da despenalização que, desde que a IVG foi despenalizada em Espanha há mais abortos! São números oficiais!

Pois é! É precisamente isso! É que agora os números são oficiais! Hoje sabemos quantos abortos se fazem em Espanha. Os de lá mais os de cá. Todos legais.

Em Espanha tiveram coragem e deixaram de tapar o sol com a peneira. Até porque, como é sabido, a peneira não evita o escaldão...

Os que, ferozmente, se batem pela penalização do aborto fazem-me lembrar aqueles que, sorrateiramente, colocam o seu lixo debaixo da carpete... com a agravante que ainda chamam porcos aos vizinhos.
Pode ser que não... pode apenas ser dos óculos...

Tenham dó!

segunda-feira, outubro 30, 2006

A grande lata!

Preconceito nº 4
Os anticoncepcionais actualmente ao dispor das mulheres garantem uma eficácia de 100% na prevenção de uma gravidez.
Não foi isto que disse a iluminada Zita Seabra.
Foi algo parecido:
"Mudei de opinião sobre a despenalização do aborto porque a realidade da contracepção mudou desde que fiz a proposta de despenalização até hoje"
Quer esta senhora dizer que hoje só engravidam as mulheres que querem.
Apenas para ilustrar esta questão com dados científicos deixo alguns números:
A pílula tem uma eficácia (se e só se utilizada sem qualquer falha) na ordem dos 99,5%.
O que equivale a dizer que em cada 200 mulheres que tomam a pílula com rigor e respeitando escrupulosamente todas as regras, há uma mulher que engravida.
Mas... porque o cumprimento da toma diária é muito difícil e, porque as mulheres têm o direito ao engano e ao esquecimento, a falência da pílula é superior a 8%, isto é: nas mesmas 200 mulheres há pelo menos 16 que vão engravidar.
A Dna. Zita Seabra que tenha paciência, mas virar a casaca tem limites!
Que não tente justificar os seus interesses pessoais à custa da mentira!

sexta-feira, outubro 27, 2006

A IVG não é só para quem quer...


Preconceito nº 3:

As mulheres que fazem IVG são todas umas irresponsáveis que só engravidam porque não se preocupam verdadeiramente com o problema.

Acham mesmo que isto é a verdade?!
Sabiam que a percentagem das mulheres que se esquece pelo menos de uma pílula por ciclo é muito elevada (cerca de 30%)?
Sabiam que as outras 70% se esquecem de tomar a pílula pelo menos 3 vezes num ano?!
Sabiam que basta esquecer uma pílula, no momento errado, para poder ocorrer uma gravidez indesejada?

Sabiam que o problema é exactamente esse: o esquecimento?

Ou acreditam que as mulheres engravidam porque descuidam a contracepção e entendem que um aborto é mais ou menos como remendar um furo no pneu do carro?

Sabiam que uma boa percentagem dos detractores da interrupção voluntária da gravidez (vulgo ABORTO) são os que se manisfestam contra a contracepção e o preservativo?

A esses, todos esses, eu gostaria de pedir mais respeito pela dignidade de cada ser humano.

Deixem decidir quem tem que decidir!

domingo, outubro 22, 2006

A IVG e suas praticantes...


Preconceito nº 2:
As mulheres que escolhem fazer uma interrupção voluntária são sado-masoquistas.
Nada mais descabido!
Alguém acredita que uma mulher faz tal coisa como quem toma a pílula?!
Alguém acredita que uma mulher interrompe uma gravidez apenas por capricho?!
Alguém acredita que uma IVG pode ser encarada como algo banal?
E porque há gente mesmo muito distraída:
Uma mulher que escolheu interromper uma gravidez por razões que ela saberá, pode sempre vir a ser ou continuar a ser uma Mãe fantástica.
É prova de maturidade civilizacional escolher o momento da maternidade!
Ou não?

quinta-feira, outubro 19, 2006

A IVG...

Este pequeno texto serve apenas um propósito:
Lembrar os mais distraídos que o referendo no qual seremos brevemente convidados a participar é apenas e somente para saber se a Interrupção Voluntária da gravidez deve ser despenalizada desde que realizada até às 10 semanas de gestação.
E... porque há mesmo gente muito distraída... para que passe sempre a ser isso mesmo:
Voluntária!

quinta-feira, outubro 05, 2006

Vem aí o vale tudo


Estou pasmo!

Na diocese de Coimbra, alguns Abortos, maiores e vacinados entendem que podem usar de qualquer arma para fazer uma lavagem às inocentes cabecinhas dos paroquianos.

Vai daí, lembraram-se de algo que só visto:
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=13&id_news=245523

Usaram uma foto de uma criança já com um mês de idade (PORTANTO JÁ NASCIDA) e que, por acaso infeliz - só pode! - calha ser filho de uma das primeiras subscritoras de uma petição pró despenalização.

É por isso que estou pasmo!

E é também por isso, a somar a tantas outras atitudes e gestos infelizes, que, desta vez, eu acredito que a maioria dos Portugueses vai dizer basta à condenação de um acto que apenas diz respeito á consciência de cada um.

Não nos esqueçamos nunca que os autores desta última gracinha da foto mal escolhida devem ser os mesmos que acham o preservativo uma invenção do inferno e apenas aconselham o coito interrompido como método de planeamento familiar.

Tenham dó!!! Se não sabem viver em sociedade... ao menos saiam de cima!