quinta-feira, janeiro 25, 2007

Quero ser a gota de água!


O meu Amigo João Lopes, do blog http://www.o-observatorio.blogspot.com/ disse-me um dia, quando me deu o pontapé necessário para me iniciar nesta coisa da “blog-o-esfera” que um texto, para ter algum sucesso, não poderia ser muito longo.

E eu sei, acabei por verificar, que isso é bem verdade.

No dia a dia não temos tempo a perder e, por essa razão, não damos tempo a textos mais longos. Abrimos este e aquele blog, damos uma espreitadela rápida e partimos para outro, depois do comentário mais ou menos convencido…

Mas hoje… no intervalo do que ouço, apetece-me escrever, que é mais ou menos a mesma coisa que falar comigo…

Apetece-me passar a noite toda a discutir um tema que me preocupa… e me preocupa apesar de, e talvez por isso, não ser mulher.

A questão da despenalização da interrupção voluntária da gravidez, o tal de aborto que os partidários do NÃO tanto gostam de lembrar, incomoda-me.

Incomoda-me porque é um sinal dos tempos!

A prova de que vivemos num mundo de mentira, numa época de hipocrisias disfarçadas de moralismos e de respeitos intermitentes pela vida.

Hoje ouvi um médico, ginecologista, defender o não, a pretexto de que, às dez semanas de gestação, um feto já é uma vida, devidamente “ecografável”, onde podemos ver uma futura criança.

Não pensa assim quando falamos do filho de uma violação. Essa criança, provavelmente, já não é para ele tão digna de respeito como o filho de uma relação de prazer mais explícito.

O mesmo médico, entende que a despenalização do “Aborto” vai onerar todos os contribuintes. Que as clínicas privadas passarão a facturar à nossa custa!

Até onde vai a vontade de distorcer os factos?!

Será que não é possível defender o não baseado apenas naquilo em que se acredita?!

Quando, um dia, porque um dia assim será, a interrupção voluntária da gravidez não for crime, poder-se-á recorrer a clínicas privadas sem o medo do castigo… mas cada um pagará o seu aborto!

Se recorrerem a um hospital público, é verdade que pagaremos todos… mas não pagamos já?

Alguém se preocupa em rastrear os custos do tratamento das complicações dos abortos ilegais?

Será que os argumentos contra a despenalização não têm por trás o princípio milenar de que o que é proibido é, necessariamente, mais caro?

E de que não é por ser mais caro que acontece menos?

A questão da despenalização da interrupção voluntária da gravidez é o último grande combate pela “autodeterminação” da mulher enquanto cidadão.

Durante milhares de anos deu-nos – a nós, machos “procriativos” – imenso jeito que a mulher engravidasse. Era assim uma espécie de maldição punitiva pelo pecado original que servia para segurar ao miolo da caverna a potencial “galdéria”.

O Homem partia para a caça, mais ou menos garrido com as suas pinturas tribais, acampava pelo mundo, invadia territórios alheios, violava as mulheres dos menos afortunados e, quando voltava para a sua gruta lá encontrava as mulheres e a prole, encostadinhos à pedra do Lar, à volta do calor do fogo…

Depois, bastava apenas cumprir a função. Atingir o seu orgasmo breve e solitário e garantir o sossego da fêmea enquanto os novos caçadores cresciam…

Outros tempos…

Mais tarde, a mulher deu-se ao luxo de pensar - que isto da escuridão das grutas é para o que dá – e, de forma subtil mas persistente foi introduzindo cambiantes fatais na relação humana.

Terá inventado a dor de cabeça como primeiro método de planeamento familiar… (e nem quero imaginar as lambadas, as mordidelas e outras fantasias masculinas para contrariar a maleita…), descobriu o poder das luas, a sua força nos seus ciclos vitais (e com isso desenvolveu a suas capacidades lógico-matemáticas, a astrologia…), a força do diálogo, nem que fosse preciso inventar mil e uma noites de fantasias…

Porque milhares de vidas à volta de caldeirões fumegantes dão força à magia… descobriu poções, métodos capazes de adiar os filhos (e de os desfazer quando tarde fosse…), descobriu que esse deus punitivo dos fins do paraíso não havia fechado as portas todas…

E descobriu também… a força do prazer.

Reinventou o sabor da maçã!

Porque nem só de dores de cabeça se faz, ou pode fazer, o universo feminino.

E, com esse prazer carnal, à volta do pecado original, regressa sempre o problema inicial:

Que é a capacidade, ou não, de decidir o momento certo para a maternidade…

O problema, até pode nem ser meu… (fosse eu capaz de ser assim, tão distante, da mãe que nos gerou…)

O problema pode até ser apenas das mulheres…

Mas se é assim… porque nos preocupamos tanto em julgar?!

Mais… em castigar!

Porque, ao votarmos (ou não) no próximo referendo, estaremos apenas a decidir o mais importante:

É crime?!

Deve ser castigado?!

Por isso voto sim! Um sim ao direito a escolher!

Mas que é um não, muito claro, ao castigo!

Os que votam não… terão os seus telhados cheios de pedras para atirar aos outros… e por isso, na provável culpa do remorso antecipado, vão inventando desculpas fáceis para acusar os outros… as descuidadas… as galdérias… as inconscientes… as promíscuas… as lascivas… as desprevenidas… as esposas submissas (incapazes das milenares dores de cabeça)…

Ou podem, apenas, não estar a ver o problema… ou nem querer saber…

E Deus… esse grande Deus capaz de perdoar… vai vendo o filme passar, no desenrolar fantástico do grande livre arbítrio, forja do melhor e do pior da humanidade…

A vida, no gesto criador, está muito para além da biologia… repousa sobretudo no direito à escolha!

É nisso que acredito!

Por isso voto SIM! Um SIM à liberdade de escolha.

Um SIM à responsabilidade!

Porque ser MÃE é uma coisa muito séria!

segunda-feira, janeiro 15, 2007


Hoje tive um sonho estranho.

O que me safa é que não costumo ter sonhos premonitórios.
É mais do tipo "medos recalcados":

Bom. Mas vamos ao que interessa: O Sonho, ou seja, o pesadelo.

Era dia de referendo... à noite... depois da contagem dos votos dos Açores... e o Sim perdia!

E depois?!
De facto eu até nem pretendo fazer nenhum aborto!
Até estou a descobrir que uma atitude assim mais do tipo "salve-se quem puder", os pobres que paguem a crise, traz vantagens interessantes.

Mas... havia uma ideia que me atormentava no reino de morfeu. Onde é que o País iria enfiar todas as pecadoras e seus cúmplices.

Foi então que o pesadelo se transformou em sonho perfeito.

Mas qual OTA, qual TGV!

O que o País precisa é de uma mega-prisão.
Uma grandiosa obra de regime, com quilómetros e quilómetros de betão e ferro, muita mão-de-obra ilegal para engordar o sistema e montes de novos funcionários prisionais para resolver o problema do desemprego.

E missas! Muitas missas para manter o povinho sossegado, em lume brando...
Bem no meio, uma grande catedral, construída pedra a pedra pelos meninos do rio, mandados vir de propósito do Brasil, em homenagem ao milagre da reprodução e da mão-de-obra barata.
Nas escadas da porta principal, pedintes, milhares de pedintes, ao serviço da nossa caridade... funcionários abnegados (os pedintes) da profissão de fé e do sexo original... antes das modernices blasfemas do uso do preservativo. Infectados, como convém em tempo de milagres...

É que, lá dizia o outro - numa versão livre - "o que é preciso é haver, ao menos, uma droga legal".

domingo, janeiro 07, 2007

Psicanálise da luta dos índios contra os cowboys…

Nada mais triste do que não perceber as nossas próprias opiniões, ou, dito de outra forma, a génese das nossas opiniões.

Que os outros não compreendam, é natural, entende-se e é explicável pela falta de visão de conjunto. Pela não participação no processo do nosso crescimento.

Nós só conseguimos ver uma pequena parte da realidade… e é provavelmente essa uma das razões de tantas diferenças de opinião.


O estranho é quando nos apercebemos, de súbito, que num dado momento da nossa vida algo mudou, tendo essa pequena mudança originado uma série de acontecimentos em cadeia que levou à formação de uma outra personalidade, bem diferente do expectável.

Houve um momento em que tudo levaria a acreditar que este sujeito que escreve estas linhas seria um defensor implacável do sonho Americano.

Recordo os primeiros livros, a formação “Enid Blyton” dos meus seis anos de primeiras letras, que se estendeu por alguns anos de infância. Com eles desenvolvi o meu desejo de aventura enquanto percebia que os Amigos fazem parte da história toda. E que sem eles, a história não tem sentido!

A seguir veio o Buffalo Bill, o David Crocket e o David Carson.

A ideia de que o mundo era um território imenso a descobrir e desbravar, empurrando a barbárie para reservas bem controladas enquanto a civilização avançava implacável.

De súbito, a criança que se imaginava num mundo de aventuras sob controlo, passou ao mundo exterior, ainda que num passado mais ou menos longínquo.

E porque todos todos nós aprendemos fazendo, dos bonecos dos gelados Olá, mimetizando os livros dos cinco nas construções dos legos, fomos passando às cowboyadas de rua, com tiros de imitação e a eterna recusa em fazer o papel do índio, entregue invariavelmente ao mais desejoso do apoio do grupo.

Para poder continuar em casa - fora de horas e às escondidas dos pais - a brincadeira preferida, à saída da escola, em vez de apanhar o autocarro de regresso, mentíamos aos pais e regressávamos a casa a pé, quer chovesse ou fizesse sol, para poupar os 2$50 do bilhete.

E a poupança desfazia-se no Bazar dos três vinténs, no balcão do far-west.

Comprávamos os índios e os cowboys (mais dos segundos, sempre, que dos primeiros, para manter a possibilidade de vitória) e iniciávamos a explicação do nosso mundo infantil.

O mundo girava em torno desta guerra civilizacional de plástico, alegoria pueril da nossa imaginação.

Vista à distância, não posso deixar de reparar na ironia do mercado: Um índio custava tanto como um cowboy… (5$00 – duas viagens de autocarro) e a única diferença no preço era o cavalo… sendo que um índio a cavalo valia tanto como um cowboy montado. (exactamente 10$00, ou seja, 4 viagens de regresso a casa).

Com esta criação do mundo, estreei-me na matemática aplicada à vida e compreendi que tudo se constrói peça a peça, mesmo quando se trata de construir um novo mundo.

Ao fim de algumas semanas (estimo que cerca de 60 – o que equivale a dizer 2 anos de ciclo preparatório, descontando as deliciosas e intermináveis férias de verão, de natal e Páscoa) eu e o meu irmão tínhamos um exército colonial à maneira e muitos, mesmo muitos, inimigos a combater.

Com ajuda externa fomos possuindo tendas para os índios e casas para os cowboys, até que um dia construímos, no pátio da nossa casa, o forte dos cowboys.

Mas, ironia das leituras, o tempo que vivia ajudou-me a descobrir outros universos.

Júlio Verne substituiu Buffalo Bill e o miúdo dos doze anos encontrou outras perguntas…

Com o passar dos meses, enquanto os nossos "Bills", os "Kits" e "Crockets" iam vencendo os "nuvens negras", os "bocejos de urso" e outros personagens da nossa imaginação, fomos perdendo o sentido posicional e ganhando afeição pelos fracos.

E um dia, num daqueles domingos estremunhados sem programação televisiva capaz de acalmar os putos, juntámos a pólvora dos cartuchos de caça do vizinho do lado e planeámos a revolta dos índios.

Minámos o forte (o tal que nos tinha custado semanas a construir), colocamos os cowboys em pontos estratégicos e posicionamos os índios nas redondezas, de forma a poderem assistir à grande batalha.

Quando não havia vizinhos nas imediações riscámos o fósforo, acendemos o rastilho e sentámo-nos a assistir à vingança dos oprimidos.

O forte ardeu, todo, os cowboys derreteram em pequenas chamas azuis até serem apenas insignificantes coágulos de plástico no chão e, durante largas horas, abateu-se sobre a casa um cheiro nauseabundo a morte.

E depois… perdeu a graça!

Nos anos seguintes, a imagem dos cowboys aos gritos foi-se apagando da minha imaginação, até que ontem, acordei estremunhado e compreendi porque razão a minha brincadeira favorita tinha acabado.

Para terminar, uma referência a uma das personagens que mais me marcou:

O Tim.

O resto… fica apenas para a vossa imaginação!...

sábado, dezembro 23, 2006

O Natal está a chegar...


Feliz Natal!


Porque o Natal é sempre que o Homem quer...

Mesmo que não seja para todos... porque o Sol, infelizmente, quando nasce não é para todos... importa acreditar, sempre, que as pequenas luzes que agora se acendem, crescerão e iluminarão cada dia mais gente!


E porque o Natal é em toda a parte, aqui vai o meu postal... directamente de Londres para todos os que me visitam neste blogue...


Um Feliz Natal para todos!

domingo, dezembro 10, 2006

Partiu sem castigo!


Morreu hoje um dos mais hediondos tiranos da História recente.



Eu sei que não é fácil estabelecer uma ordem de grandeza no que diz respeito à crueldade de algumas figuras do século passado que, quis a história, transitaram para o século XXI ainda vivas.

Mas importa, agora que Pinochet está morto, não esquecer as suas façanhas, e, sobretudo, tentar castigar todos os que com ele fizeram coro.

É provável que o anterior Papa lhe tenha concedido o perdão... é possível!
Mas não creio que lhe tenha dado a chave do paraíso.

Porque a crueldade, quando levada a certos extremos, não tem justificação.
Muita coisa pode justificar certas atitudes, a forma como se pensa, os gestos que usamos.
Mas em certos actos, a culpa não pode ser só dos pais, de tios malvados ou de uma infância difícil.
Porque no caso deste tirano, não se trata de gostar de um "jogo" um pouco mais duro.
Não é uma questão de mais ou menos "masculinidade", nem uma forma diferente de ver o poder!

É barbárie!
O exercício do poder levado aos seus limites mais horríveis.

Ficam para a história todos os relatos desses dias de "chuva em Santiago".
Ficam todos os orfãos desse Chile mutilado.
Ficam todos os Pais que nunca mais viram os filhos.



E fica sobretudo, esse sabor amargo de um crime sem castigo!


Mas... a morte, essa chegou inevitável e fria. Que a terra lhe pese em cima e que arda para todo o sempre nas profundezas dos infernos!

sábado, dezembro 02, 2006

São todos uns madraços... que o mesmo é dizer: só eu é que trabalho!


Esta é a verdade mais "universalizada" do espaço lusitano!

Como representantes desta espécie invulgar, de escassos 10 milhões entre portas mas capaz da mais espectacular diáspora do segundo milénio, temos concerteza algumas das suas características mais peculiares.

Somos genuinamente auto-críticos mas sabemos parar no exacto momento em que vale a pena começar a introduzir avanços. Não vá perdermos a capacidade de auto-flagelação.

O maior problema desta nossa sub-espécie é o facto de todos serem uns autênticos madraços, incapazes e produtivos, com uma única excepção: cada espécimen em particular...

E é por isso, só pode ser por isso, que quando se tentam introduzir reformas todos nós resistimos quais meninos mimados a serem arrastados pelos pais.

As reformas fazem falta. Sem dúvida! Mas apenas para os outros!
Se somos professores, entendemos que é necessário reeducar os pais.
Se somos pais clamamos pela reforma do ensino e pela avaliação dos professores.

Os Juízes protestam contra os legisladores.
Os advogados contra os juízes...

Os médicos contra os enfermeiros, estes contra os doentes e estes contra os primeiros e os segundos...

Os filhos gritam contra os pais e estes, porque raramente se lembram que são filhos, berram impacientes contra os primeiros.

Os polícias, geralmente lestos na repressão dos protestos alheios reivindicam o direito à indignação.
Os militares idem aspas aspas...

Os políticos, que são genuínos filhos desta gente toda, revoltam-se contra si próprios e... geralmente... não vá a democracia dos votos ser dura e castigadora, aproveitam para ir deixando tudo mais ou menos na mesma.

E é por isso que eu acho, que a paz podre é bem pior que o estado de indignação a que chegámos.
Pode ser que assim, as coisa possam ir mudando.

Para começar... se pudesse ser... eu ia pelo caminho que o Salazar tanto odiava:

A educação! Pode ser que, quando a grande maioria deixar de ser analfabeta e aproveitar para ler o mundo de forma mais esclarecida, se possa olhar em frente, para cima, para os lados (até para trás) e menos para cada umbigo, por mais interessantes que possam ser os ditos cujos.

segunda-feira, novembro 20, 2006

Deus meu! Estou confuso!



Eu cá para mim... a culpa só pode ser da "grande cabala"!

Sim... porque os pobres não têm ar de ter culpa nenhuma...

Os moços andavam à pesca... e deu um tal de cheiro a peixe que não se pode!

Ao da esquerda (livra!) caiu-lhe o mundo em cima. Presidente Silva incluido... mas é uma injustiça, não é?!

Ao da direita nem sei que diga... do que se lembram as autoridades! Dinheiros indevidamente recebidos?! Ná! Não tem cara disso... ele até é mais missas...

A confusão é tanta que já nem sei que diga!

terça-feira, novembro 07, 2006

Por debaixo da carpete...

Preconceito nº 5

A despenalização da IVG faz disparar os números do Aborto!


Mas alguém acredita nisto!?
Será que anda tudo doido... ou será apenas má fé?

Dizem os detractores da despenalização que, desde que a IVG foi despenalizada em Espanha há mais abortos! São números oficiais!

Pois é! É precisamente isso! É que agora os números são oficiais! Hoje sabemos quantos abortos se fazem em Espanha. Os de lá mais os de cá. Todos legais.

Em Espanha tiveram coragem e deixaram de tapar o sol com a peneira. Até porque, como é sabido, a peneira não evita o escaldão...

Os que, ferozmente, se batem pela penalização do aborto fazem-me lembrar aqueles que, sorrateiramente, colocam o seu lixo debaixo da carpete... com a agravante que ainda chamam porcos aos vizinhos.
Pode ser que não... pode apenas ser dos óculos...

Tenham dó!

segunda-feira, outubro 30, 2006

A grande lata!

Preconceito nº 4
Os anticoncepcionais actualmente ao dispor das mulheres garantem uma eficácia de 100% na prevenção de uma gravidez.
Não foi isto que disse a iluminada Zita Seabra.
Foi algo parecido:
"Mudei de opinião sobre a despenalização do aborto porque a realidade da contracepção mudou desde que fiz a proposta de despenalização até hoje"
Quer esta senhora dizer que hoje só engravidam as mulheres que querem.
Apenas para ilustrar esta questão com dados científicos deixo alguns números:
A pílula tem uma eficácia (se e só se utilizada sem qualquer falha) na ordem dos 99,5%.
O que equivale a dizer que em cada 200 mulheres que tomam a pílula com rigor e respeitando escrupulosamente todas as regras, há uma mulher que engravida.
Mas... porque o cumprimento da toma diária é muito difícil e, porque as mulheres têm o direito ao engano e ao esquecimento, a falência da pílula é superior a 8%, isto é: nas mesmas 200 mulheres há pelo menos 16 que vão engravidar.
A Dna. Zita Seabra que tenha paciência, mas virar a casaca tem limites!
Que não tente justificar os seus interesses pessoais à custa da mentira!

sexta-feira, outubro 27, 2006

A IVG não é só para quem quer...


Preconceito nº 3:

As mulheres que fazem IVG são todas umas irresponsáveis que só engravidam porque não se preocupam verdadeiramente com o problema.

Acham mesmo que isto é a verdade?!
Sabiam que a percentagem das mulheres que se esquece pelo menos de uma pílula por ciclo é muito elevada (cerca de 30%)?
Sabiam que as outras 70% se esquecem de tomar a pílula pelo menos 3 vezes num ano?!
Sabiam que basta esquecer uma pílula, no momento errado, para poder ocorrer uma gravidez indesejada?

Sabiam que o problema é exactamente esse: o esquecimento?

Ou acreditam que as mulheres engravidam porque descuidam a contracepção e entendem que um aborto é mais ou menos como remendar um furo no pneu do carro?

Sabiam que uma boa percentagem dos detractores da interrupção voluntária da gravidez (vulgo ABORTO) são os que se manisfestam contra a contracepção e o preservativo?

A esses, todos esses, eu gostaria de pedir mais respeito pela dignidade de cada ser humano.

Deixem decidir quem tem que decidir!

domingo, outubro 22, 2006

A IVG e suas praticantes...


Preconceito nº 2:
As mulheres que escolhem fazer uma interrupção voluntária são sado-masoquistas.
Nada mais descabido!
Alguém acredita que uma mulher faz tal coisa como quem toma a pílula?!
Alguém acredita que uma mulher interrompe uma gravidez apenas por capricho?!
Alguém acredita que uma IVG pode ser encarada como algo banal?
E porque há gente mesmo muito distraída:
Uma mulher que escolheu interromper uma gravidez por razões que ela saberá, pode sempre vir a ser ou continuar a ser uma Mãe fantástica.
É prova de maturidade civilizacional escolher o momento da maternidade!
Ou não?

quinta-feira, outubro 19, 2006

A IVG...

Este pequeno texto serve apenas um propósito:
Lembrar os mais distraídos que o referendo no qual seremos brevemente convidados a participar é apenas e somente para saber se a Interrupção Voluntária da gravidez deve ser despenalizada desde que realizada até às 10 semanas de gestação.
E... porque há mesmo gente muito distraída... para que passe sempre a ser isso mesmo:
Voluntária!

quinta-feira, outubro 05, 2006

Vem aí o vale tudo


Estou pasmo!

Na diocese de Coimbra, alguns Abortos, maiores e vacinados entendem que podem usar de qualquer arma para fazer uma lavagem às inocentes cabecinhas dos paroquianos.

Vai daí, lembraram-se de algo que só visto:
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=13&id_news=245523

Usaram uma foto de uma criança já com um mês de idade (PORTANTO JÁ NASCIDA) e que, por acaso infeliz - só pode! - calha ser filho de uma das primeiras subscritoras de uma petição pró despenalização.

É por isso que estou pasmo!

E é também por isso, a somar a tantas outras atitudes e gestos infelizes, que, desta vez, eu acredito que a maioria dos Portugueses vai dizer basta à condenação de um acto que apenas diz respeito á consciência de cada um.

Não nos esqueçamos nunca que os autores desta última gracinha da foto mal escolhida devem ser os mesmos que acham o preservativo uma invenção do inferno e apenas aconselham o coito interrompido como método de planeamento familiar.

Tenham dó!!! Se não sabem viver em sociedade... ao menos saiam de cima!

sexta-feira, setembro 29, 2006

Como a cadela e a gata?



O bizarro pode acontecer em qualquer momento.

O mais provável é que, ao acontecer deixe de ser bizarro. O mais provável é que certas coisas só não aconteçam mais vezes porque nós não estamos preparados para as ver.

Somos tantas vezes os gatos ou os cães de uma história qualquer apenas porque decoramos os guiões e temos um medo primitivo do improviso.

Como se a vida fosse para ser vivida em rigorosa obediência ao plano original...

Desculpem lá os puristas, os deterministas, os defensores de uma qualquer ordem divina, os sacerdotes de religiões mais ou menos universais...

A minha gata olha para a minha cadela com os olhos ternurentos de uma filha reconhecida... e a cadela trata-a como se fosse de facto a sua pequena cachorra.

Ainda bem que não sabem falar... porque se não, em nome dos cânones e da obediência ao status quo já se teriam zangado ad eternum.

Até pode ser que sejam assim... tão improváveis... porque lhes falte um qualquer programa de primitiva necessidade de afirmação... pode ser...

segunda-feira, setembro 18, 2006

...Porque é deles o Reino dos Céus...


Quando falo dos profetas dos outros, dos seus deuses, da sua fé... faço-o com o respeito que entendo que as diferenças devem merecer para toda a Humanidade.

Porque não há apenas uma perspectiva. Porque a vista que temos de cada realidade o é tendo em linha de conta o nosso ponto de Observação.

Sobre o Islão, reconheço que sei muito pouco, para além de algumas trivialidades.
Admiro a devoção que têm pelo nosso Jesus Cristo e por sua Mãe, Maria, que afirmam ter concebido sem pecado.

São ciosos das suas convicções, podem até ser um pouco rudes na forma como olham os "infiéis"... mas... nos que conheci nunca vi qualquer intenção de esmagar as minhas convicções.

Os tempos são, por todo o mundo, de fundamentalismos exacerbados.
E por isso, em nome de Deus, fazem-se barbaridades.
Mata-se, violenta-se.

E, quando o mundo mais precisava de Homens de Visão, capazes de espalhar uma mensagem de esperança, de sã convivência, o mais alto dignatário de uma das mais ricas e poderosas religiões do mundo, risca um fósforo no paiol da intolerância e tira o tapete a todos os islâmicos que fazem fé na Boa Vontade dos Homens.

A imagem deste post, é a Imagem de Maomé, mas não podemos nunca esquecer que cada Homem que viveu neste mundo se escreve de mil formas.

Cristo, que deu o seu sangue para salvar a Humanidade... também tem outros rostos.
Em seu nome, outros ratzingers queimaram inocentes, destruiram culturas, bibliotecas e civilizações.

Que um Deus qualquer, nosso ou não, nos livre destes arautos da desgraça!

E... sobretudo... que torne mais estreito o buraco da agulha. Para que este camelo que escolheu chamar-se Bento XVI, mesmo sendo pobre de espírito, fique à Porta do reino dos Céus e desça depois às profundezas do Inferno!

terça-feira, setembro 12, 2006

Começar de novo - Este é um texto para não ler...


Este fio de Norte, sou forçado a reconhecer, anda com muito pouca guita... anda pouco encerado...
Às vezes pergunto-me por que razão isso acontece. Porque é que tenho estes momentos pendulares em que nem me apetece criticar nem elogiar.

São provavelmente momentos depressivos que, felizmente, apenas chegam á minha capacidade criativa na área dos blogs.

Aliás, quando vivo momentos mais nauseantes noutras áreas, normalmente dá-me para descarregar a verbe aqui por esta esfera virtual...

Se calhar, se tivessemos ganho o Mundial tinha andado mais entusiástico... mais uns tempos.
Se calhar... se as férias tivessem sido mais longas... se a crise estivesse num momento de hesitação...
...pode ser...
Mas o que eu acho é que o culpado desta angústia existencial traduzida em bites da internet é mesmo o Senhor Bush!
Só pode!
O Homem anda a destruir paulatinamente a nossa ocidentalidade (para não falar da orientalidade de alguns) e a gente a ver...
E, claro está, que isso me deprime. Deixa-me sem forças para criticar como gosto porque o animal é grande de mais para a minha pequena funda...
E por isso afundo-me dia após dia no sofá da sala, a olhar triste para a primeira página do blog, a pensar: Não gosto nada do aspecto disto... assim parado!
Portanto... para voltar a ter esperança... e fazer de contraponto à fotografia do "homo violentus" optei por procurar uma foto que me devolvesse a fé na nossa espécie.
É que apetece mesmo começar de novo!

quinta-feira, agosto 03, 2006

O Gajo é parvo!

Não gosto de gente que conta o fim dos filmes...
Não gosto de tipos que, enquanto jogam às cartas, nos desvendam a estratégia de jogo...

e, não gosto de cartas viciadas!

E hoje, depois de ouvir as declarações e o relato do riso do primeiro ministro Israelita sobre uma futura intervenção das Nações Unidas por terras do Líbano fiquei estupefacto.
Dizia o Senhor que confiava que a ONU teria um papel no conflito, conforme os interesses de Israel, e... quando lhe perguntaram se acreditava que pudesse ser mesmo assim, o Senhor riu e perguntou: "Mas alguma vez foi de outra maneira?!"

O Homem mostrou as cartas! O Gajo é Parvo!
E ainda por cima tem um grave problema de pontaria!
Quer atacar um bairro e ataca um país inteiro.
Não gosta dos Persas e atira-se ao país mais pluricultural da zona!
E não resisto a transcrever:
"Ofensiva israelita “sem limite”
Primeiro-ministro salienta que “Beirute não é um alvo” A ofensiva contra o Líbano "não tem um limite" fixado "a priori", afirmou o primeiro-ministro israelita, Ehud Olmert, em declarações ao jornal “Le Monde”.
Questionado quanto ao propósito de levar o exército israelita até ao rio Litani, no Sul do Líbano, Ehud Olmert respondeu: "Não há um limite". "Não vamos combater em Beirute", acrescentou, salientando em seguida: "quanto ao resto, penso não ter que anunciar os meus planos".
"Beirute não é um alvo. O que é, e continuará a ser (um alvo), é um único bairro, o do Hezbollah. Mas não vamos atacar Beirute. Não estamos a combater o governo do Líbano", frisou.
Ehud Olmert afirmou ainda ter ficado surpreendido com as declarações proferidas, segunda-feira, pelo ministro dos Negócios Estrangeiros francês Douste-Blazy, que defendeu que o Irão desempenha um "papel importante de estabilização na região".
"Quando ouço o presidente do Irão dizer que é necessário apagar Israel do mapa e quando vejo os seus esforços para obter armas nucleares, não compreendo muito bem o papel de estabilização que (o Irão) desempenha", considerou o governante israelita.
"

Pois não! A melhor maneira de estabilizar esta balança é partir os pratos!
Querem melhor equilíbrio que Israel em cima dos restantes locatários do condomínio do Médio Oriente!
A melhor maneira de cortar um tumor é matar o hospedeiro... é sempre fatal para o tumor!

Tá mal!
E continuo a achar que o Gajo é parvo!

Anteontem vi um filme sobre o bombardeamento de Dresden que me alterou o sono e me recordou muitas vezes o meu Amigo Oscar. ( A RAF bombardeou e arrasou Dresden na fase final da 2ª guerra, fundamentalmente para provar aos seus aliados que tinha um papel crítico na vitória final - Os EUA fizeram o mesmo no Japão, para que não houvesse dúvidas...)
A história é normalmente contada pelos vencedores. É geralmente contada pelos mais fortes, isso é seguro. Mas não devemos nunca perder a lucidez e aceitar como inevitáveis os excessos de quem vence. Até porque a nobreza de carácter não se vê em quem castiga...

E, sobretudo, porque não acredito na máxima "olho por olho, dente por dente".
Não gostando de dar a outra face, reconheço que se pagasse na mesma moeda a quem me faz sofrer este meu mundo seria um Inferno na terra.
Ou então já era o maior do Bairro... quem sabe?!

quarta-feira, junho 28, 2006

A "bolização"... ou a aldeia global entre balizas...


Hoje decidi escrever um pequeno texto sobre um tema que tenho tentado evitar... o futebol.
Por um lado, porque se trata do tema de todos os dias, do assunto de todas as conversas e do Amor de muitas paixões.

Por outro lado, porque avizinhando-se aquele que poderá ser o primeiro dos grandes jogos da selecção no Mundial da Alemanha, me apetece deixar escrito o que me vai na alma nesta fase.

Nunca escondi que não gosto do Scolari. E não gosto porque preferia ver um Português a treinar a selecção Nacional e, de preferência, um seleccionador que não tivesse escolhido o Norte do País como bode expiatório das culpas nacionais.
Não gosto das certezas absolutas do Filipão nem de ninguém em geral.
Apesar de tudo, confesso que o que mais me incomoda é reconhecer que o homem às vezes me parece bem mais Português que o vulgar cidadão tipo.

Mas... e independentemente do resultado de Sábado próximo, reconheço que este homem sabe liderar a sua equipa que, por feliz acaso, até é também a minha!
Na equipa de Portugal sente-se o espírito que antecede as grandes vitórias.
Sente-se a capacidade de sacrifício, bem patente na batalha de Nuremberga.

Reconheço, como dizia um Amigo meu, que no último jogo jogámos apenas 22 minutos e, depois, nos limitámos a defender a magra vantagem.
É verdade! Mas defendemos essa vantagem com todas as energias que tínhamos.
Resistimos a todas as adversidades. E, felizmente, o azar dos adversários esteve do nosso lado, bem como as traves e barras da baliza.
É verdade! Até parece que os deuses estavam connosco... sem exuberâncias... timidamente e com medo de anunciar ao mundo a sua preocupação por este pequeno país que poucos sabem ao menos onde fica.

E é por isso... que neste próximo sábado, quando vestir mais uma vez a camisola da nossa selecção e colocar ao pescoço o único cachecol vermelho que aceito usar quando vejo jogos de futebol... espero que os deuses se lembrem dos protegidos de ontem e nos deixem continuar a sonhar!

É que por acaso até merecemos ir bem mais longe!

E dá um gozo imenso ver os Lordes de Inglaterra tão preocupados com este pequeno David...

quinta-feira, junho 15, 2006

A Justiça é cega


O que mais me incomoda nesta nossa sociedade... é o "non sense".
É o tipo de coisa que só tem graça em certas áreas da nossa vida, digamos que... mais recreativas.
Mas, principalmente em áreas onde deveria imperar uma certa lógica, uma forma de estar que protegesse o cidadão, preocupa-me de sobremaneira.
Como já referi por várias vezes, este ano tive alguns contactos com a justiça, quer como testemunha em processos alheios, quer como queixoso num outro processo.
No último caso, levei à barra do tribunal os vizinhos do lado por razões de má vizinhança, que, entre muitos outros assuntos, incluiam danos materiais provocados na minha casa.
O caso até que não correu mal, tendo conseguido um julgamento em tempo record, isto é, ao fim de dois anos.
Como tínhamos sido vítimas de agressão (quebra de vidros no meu terraço) houve lugar a dois processos: um processo crime (com pedido de indeminização por danos materiais) e outro cível (para reclamar indeminização por danos morais).
Ganhámos os dois!
A Juíza decidiu.
Está decidido!
No caso do processo crime, a ré foi condenada e terá que nos pagar os 140 € dos vidros quebrados, tendo ficado com o registo criminal preenchido com a condenação. Para além disso pagará uma multa ao tribunal e as custas do processo crime.
Menos mal! (Principalmente se tivermos em linha de conta que, mesmo quando manifestada a intenção de lhe perdoarmos, se dispunha a pagar os 140 € em 14 prestações mensais)!!!
O problema... vai ser receber os tais euritos!.
Quanto ao processo cível, o tal do pedido de indeminização por danos morais (pedíamos 5.000 € - que vos posso garantir que nunca pagariam os traumas provocados pelos maus vizinhos), uma vez que ficou provada a culpa da ré e que a agressão em questão não era um caso isolado bem como que, para além dos seus maus instintos, ainda tinha a desgraça de não ter muitos rendimentos... a juíza, senhora bondosa e compreensiva... determinou que 5.000 € se tratava de um exagero e condenou a ré ao pagamento de cerca de 200 €.
Ficaria para a história e para a melhoria do ambiente na rua, a condenação dupla, o cadastro para a meliante e a multa, custas e indeminizações aos queixosos!!!
Até que nem me pareceu mal!
O problema é que até à data ainda não vi a cor do dinheiro e falta-me pagar à minha advogada (sendo certo que sei de antemão que a conta superará os proveitos).
Parece-vos mal?!
Ficam estupefactos?
Acham isto completamentamente inusitado???!!!!
Então que dizer quando recebi em casa a conta das custas do processo cível?
Ora bolas para a justiça!
Os ministros da mesma, os juízes mentecaptos, os advogados cooperantes, os oficiais diligentes, os réus criminosos e os inocentes e os queixosos que, como eu, ainda acreditam... Que vão todos para o raio que os parta!
É que eu acabo de pagar 240 € de custas de um processo que ganhei e no qual me foi atribuída uma indeminização de 200 €, porque a bondosa da juíza entendeu que a pobre ré, sendo uma refinada bandida não deixa de ser pobre e, por essa razão, os queixosos que paguem a crise!
Já só nos faltava esta!
Ao menos a justiça podia aprender braille... sempre ia podendo acompanhar os processos e julgar com juízo e bom senso!
Não vos parece?!
Já agora... como não podia deixar de ser... ainda não recebi nada, mas já paguei as custas. Não vá um juíz qualquer acordar mal disposto!
Ainda pensei meter a juíza em tribunal... mas como o processo ia acabar por ser julgado por um colega dela... achei melhor estar quietinho... ou não fosse acabar por levar no focinho!

terça-feira, junho 06, 2006

As fogueiras do nosso conhecimento...

Não há pior caos do que o acumular de conhecimentos...
Isto a propósito de uma das minhas mais antigas angústias existenciais, que se desencadeia, invariavelmente, todas as vezes que visito a feira do livro.
Não por ser a feira do livro do Porto, específicamente, mas por se tratar de um espaço carregado de milhares de livros por ler.
E... sei bem que todos esses livros são uma pequena gota de água em tudo o que está publicado no mundo.
A angústia deriva da enorme frustração de eu saber que nunca, nem em mil vidas, conseguirei ler tais livros, nem mesmo os autores todos.
Sei bem que se trata de uma tarefa impossível a qualquer um. Sei bem que o acumular de conhecimentos, esse conhecimento de tudo, não se traduz, necessariamente, em sabedoria.
Porque um sábio não é quem conhece... é quem sabe usar os seus conhecimentos, por menores que sejam.
Mas, que querem... fico com pena.
Lembro-me sempre de um professor de cosmologia que nos dizia que, por sabermos de antemão que nunca leríamos todos os livros que valem a pena, não deveríamos perder tempo com livros sem a capacidade de nos "agarrarem".
E, por causa dele, tenho deixado por ler alguns livros que, pelo menos em certos momentos, me parecem mais enfadonhos.
E às vezes, com a curiosidade de algumas palavras que apenas "bateram" no subconsciente, lá volto a eles à procura de uma possível reconciliação.
E, quando calha, ela lá acontece.
Mas voltando ao caos do excesso de informação... e da nossa incapacidade enquanto vulgares "Homo sapiens sapiens" de poder ler tudo, tremo de pensar que outros, talvez mais angustiados do que eu possam lembrar-se um dia do fim das "bibliotecas de Alexandria" da nossa humanidade.
Os livros... são a pior das ameaças para a intolerância e para o humanismo. E é, provavelmente por isso também, que os tiranos se esforçam por dar largas aos mais primitivos instintos pirómanos.
Eu, que uso o computador com algum desenbaraço e entusiasmo, continuo a preferir o papel para as minhas leituras...
Mas reconheço, com medo e tristeza, que sendo os livros mais resistentes aos "bugs" de qualquer Windows mal humorado, ou aos vírus de alguém menos bem intencionado, não resitem facilmente ao bicho do papel nem às chamas do obscurantismo.
Os livros são por isso... o espelho mais real das nossas civilizações... tangíveis, mas frágeis.
E... talvez por isso... porque nos pedem colo e se acomodam nas nossas mãos... continuo apaixonado.